Primeira-ministra britânica pede eleições antecipadas

Londres, 18 Abr 2017 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta terça-feira ao Parlamento, de modo surpreendente, a convocação de eleições legislativas antecipadas para 8 de junho, com o objetivo de enfrentar com mais força as negociações de saída da União Europeia (UE).

"Precisamos de uma eleição geral e precisamos agora", disse antes em Downing Street a primeira-ministra, que precisa da aprovação do Parlamento para convocar a eleição antecipada.

May disse que pedia as eleições com relutância, mas que eram essenciais para "garantir a liderança forte e segura que o país precisa" nos dois anos de negociações com Bruxelas.

Originalmente, as próximas legislativas estavam previstas para 2020, e May havia rejeitado publicamente em muitas ocasiões os chamados de seu partido a antecipar as eleições, para aproveitar os mais de 20 pontos de vantagem que desfruta nas pesquisas.

Estas serão as quartas eleições em menos de três anos: o referendo de independência da Escócia de setembro de 2014 foi seguido por eleições gerais em maio de 2015 e pelo referendo sobre a UE de junho de 2016, antes destas novas legislativas propostas por May.

"Só pode estar brincando! Outra vez? Meu Deus, honestamente, não aguento mais", respondeu uma senhora chamada Brenda ao saber da antecipação das eleições em uma entrevista à BBC que se tornou muito popular nas redes sociais.

- "Quer esmagar a oposição" -O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, expressou rapidamente apoio ao pedido da primeira-ministra, o que abre o caminho para a aprovação da medida no Parlamento.

O Parlamento se pronunciará na quarta-feira.

"Saúdo a decisão da primeira-ministra de dar ao povo britânico a oportunidade de votar por um governo que dê prioridade aos interesses da maioria", afirmou Corbyn em um comunicado.

"O Partido Trabalhista oferecerá ao país uma alternativa efetiva ao governo", prometeu Corbyn, cujos muitos companheiros de fileiras temem uma catástrofe.

Já a terceira força parlamentar, os separatistas escoceses do SNP (Partido Nacional Escocês), criticou a convocação.

May, afirmou a chefe de Governo regional escocês, Nicola Sturgeon, pretende "escorar o Reino Unido à direita, impor um Brexit duro e mais cortes sociais" e "esmagar a oposição".

Descontente com o Brexit, Sturgeon solicitou a Londres que possa organizar um novo referendo de independência, após o de setembro de 2014.

- UE imperturbável-A União Europeia, por sua vez, afirmou que as eleições não alteram seus planos.

"As eleições britânicas não modificam os planos da UE a 27", disse à AFP Preben Aamann, porta-voz do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, antes de reiterar que o passo seguinte é a reunião de líderes em 29 de abril para adotar as grandes linhas de negociação do Brexit.

O próprio Tusk fez piada ao afirmar que o famoso diretor de cinema Alfred Hutckcok parece ter dirigido o Brexit. "Primeiro um terremoto e a tensão aumenta", tuitou.

As eleições coincidirão com a visita de Estado do rei Felipe VI da Espanha, de 6 a 8 de junho.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Sigmar Gabriel, expressou sua confiança de que as eleições promoverão "clareza e previsibilidade" às negociações.

"A incerteza não ajuda as relações políticas e econômicas entre Europa e Grã-Bretanha", acrescentou.

- Boas notícias do FMI -Pouco depois do anúncio de May, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou em meio ponto percentual, a 2%, sua previsão de crescimento para o Reino Unido em 2017, baseando-se em "um desempenho melhor que o previsto desde a vitória do Brexit em junho passado".

No entanto, a bolsa de Londres não respondeu bem à notícia e fechou em baixa de 2,46%.

Theresa May era ministra do Interior e chegou a Downing Street após a renúncia de David Cameron, em junho de 2016, e graças a sua vitória em uma votação interna do Partido Conservador, mas sua liderança ainda não foi referendada pelas urnas.

Mas sua popularidade supera com folga - até 20 pontos em algumas pesquisas - a do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.

Caso o pleito seja confirmado, estas serão as segundas eleições gerais britânicas em dois anos, após a votação de maio de 2015, com o referendo sobre a saída da União Europeia (UE) no meio.

May iniciou formalmente o processo de saída da UE em 22 de março, nove meses depois do referendo. As negociações devem durar 24 meses para encerrar os 44 anos de relação entre o Reino Unido e a União Europeia.

Os conservadores contam com uma estreita maioria absoluta no Parlamento, de cinco deputados (330 dos 650), mas não estão unidos na questão europeia, e cada votação exige a apresentação de garantias a esta minoria rebelde.

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