Equador: Lasso rejeita contagem parcial de votos e refuta resultados

Quito, 19 Abr 2017 (AFP) - O opositor Guillermo Lasso recusou nesta quarta-feira (19) o resultado de 11,2% da recontagem de votos relacionadas às eleições do dia 2 de abril no Equador, e comentou que "jamais reconhecerá" a vitória do adversário, o governista Lenín Moreno.

"Nunca reconheceremos a vitória de um candidato confirmado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Esse será um presidente sem mandato autêntico", declarou Lasso em coletiva de imprensa.

Lasso, que acusa o CNE de ser controlado pelo governo do presidente Rafael Correa, interpretou como "um show de insultos à inteligência" a recontagem de 1,2 milhão de votos feita na terça-feira (18), em Quito.

"Ofereceram-nos uma recontagem parcial que não é suficiente para esclarecer o ocorrido durante esse blecaute eleitoral, o qual nós, cidadãos equatorianos, nos sentimos desamparados", opinou Lasso.

Após a revisão de 3.865 atas de apuração, que representam cerca de 1.275.450 votos, o CNE confirmou a vitória do candidato socialista Moreno com 51,16%. Lasso obteve 48,84%.

"Vamos seguir na luta porque é para isso que estamos aqui", disse Lasso, sem entrar em detalhes se tomará novas medidas perante o Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) - autoridade máxima para a resolução de questões eleitorais - para contestar os resultados.

O opositor apresentou no final de semana dois pedidos ao Tribunal: a recontagem dos votos e a invalidação da recontagem parcial. O TCE desconsiderou a solicitação por julgar como "incoerente" tramitar ambos os pedidos de forma unificada.

"Os cidadãos pediram justiça e essa lhes foi negada de forma descarada. Os juízes eleitorais nem sequer leram nossa solicitação", queixou-se Lasso.

O ex-banqueiro negou-se a reconhecer os resultados oficiais desde o primeiro momento, alegando irregularidades na contagem e no sistema informático do CNE. Suas denúncias resultaram em protestos diários de milhares de pessoas em algumas cidades do Equador, que não tiveram feridos ou detidos.

Moreno, que já foi vice-presidente de Correa, começará a governar no próximo 24 de maio.

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