Irã bloqueia chamadas de voz no aplicativo de mensagens Telegram

Teerã, 19 Abr 2017 (AFP) - A justiça iraniana bloqueou o novo serviço de chamadas de voz no Telegram, o aplicativo de mensagens mais popular no país, informou a imprensa estatal.

As autoridades não anunciaram se a decisão teve motivações políticas ou pretende proteger os interesses comerciais das empresas telefônicas locais.

"Demos a autorização para estabelecer as chamadas de voz do Telegram na sexta-feira, mas uma ordem judicial bloqueou o serviço, introduzido na semana passada em todo o mundo", disse o ministro das Telecomunicações, Mahmud Vaezi, ao jornal reformista Shargh.

"Deveria perguntar à justiça qual foi o motivo", completou.

No mês passado, o Judiciário, dominado pelos conservadores, impediu o funcionamento do aplicativo de navegação com GPS Waze porque foi criado em Israel.

O diretor executivo do Telegram, Pavel Durov, confirmou a suspensão do serviço.

"No Irã, onde o Telegram tem quase 40 milhões de usuários ativos (...), os provedores de internet e as operadoras de celulares bloquearam as chamadas de voz após uma ordem judicial", disse.

"O Telegram sempre teve problemas com os reguladores em distintas partes do mundo porque, ao contrário de outros serviços, defendemos constantemente a privacidade de nossos usuários e nunca fechamos nenhum acordo com governos", afirmou.

As autoridades iranianas calculam que quase 20 milhões de pessoas utilizam o Telegram no país, que tem população de 80 milhões de habitantes.

Além de ser um aplicativo de mensagens, o Telegram se transformou na maior fonte de informação para os iranianos, no qual alguns canais afirmam ter mais de um milhão de assinantes.

A justiça anunciou na semana passada a detenção de 12 pessoas que administravam canais reformistas no Telegram e que foram acusadas de atentar contra a "segurança nacional" e de cometer "delitos contra a decência pública e publicar conteúdo obsceno", nas palavras do vice-presidente do Poder Judiciário, Gholamhosein Mohseni Ejeie.

O presidente iraniano, o moderado Hassan Rohani, candidato à reeleição em 19 de maio, criticou as detenções.

Sites e redes sociais populares em todo o mundo, como YouTube, Twitter e Facebook, estão bloqueados no Irã, mas muitos internautas utilizam softwares que que permitem o acesso de forma oculta.

an/fp

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