'Síndrome russa' contagia a campanha eleitoral francesa

Paris, 20 Abr 2017 (AFP) - O fantasma de Moscou paira sobre as eleições francesas, meses depois das presidenciais americanas, com acusações de ingerência do Kremlin e a vontade declarada de alguns candidatos de "retomar" uma relação estreita com a Rússia.

"Sem dúvida há uma síndrome russa que encontraremos cada vez mais na política externa e também na interna", assegurou um ex-diplomata francês, pesquisador da Fundação Carnegie Europe.

As autoridades francesas e alguns candidatos há semanas se sentem preocupados com uma possível ingerência da Rússia na campanha, suspeitas que Moscou sempre rejeitou categoricamente

Em meados de fevereiro, assistentes de candidato de centro Emmanuel Macron denunciaram a "propaganda" da mídia pró-Kremlin para desestabilizar o politico e questionaram quem estava por tras dos inúmeros ataques informáticos contra sua página de campanha. O presidente François Hollande exigiu em seguida um relatório sobre as ameaças de ciberataque contra as eleições.

Os dois candidatos mais favoráveis a uma aproximação com Moscou, o conservador François Fillon e a radical de direita, Marine Le Pen, taxaram essas acusações de "fantasia" e "teoria da conspiração", respectivamente.

O último a alertar sobre a possível influência russa nas eleições foi o chanceler Jean-Marc Ayrault, recordando a visita de Le Pen em 24 de março a Moscou, onde foi recebida pelo presidente russo Vladimir Putin.

- Suspensão das sanções -Como os Estados Unidos, as relações com Moscou são o principal tema de política externa na campanha francesa, e três dos principais candidatos transformaram a aproximação com Moscou em uma de suas futuras prioridades diplomáticas, a exemplo do que dizia o americano Donald Trump antes de ser eleito presidente.

Fillon justifica um maior vínculo com Moscou por uma questão de "realismo" e necessidade de lutar contra o "totalitarismo islâmico", e Le Pen alega que é necessário devido à "longa relação histórica entre os dois países e para combater o terrorismo.

Na esquerda, o radical Jean-Luc Mélenchon defende uma aproximação em nome da segurança e do anti-imperialismo americano.

"O general de Gaulle se entendeu com Stalin, também o fez com Mao. Quando chegar o momento, encontrarei uma forma de me entender com senhor Putin, é necessário impedir que a guerra aconteça no continente", declarou há alguns dias.

Macron e o candidato socialista Benoît Hamon seguem a política iniciada por Hollande ao aprovar as sanções contra Moscou na crise ucraniana e negar que o presidente sírio Bashar al-Assad, aliado da Rússia, possa conservar o poder na Síria.

Em relação à Ucrânia, Le Pen apoia abertamente a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, depois de um referendo considerado ilegal pela comunidade internacional, enquanto que Fillon e Mélenchon se mostram mais ambíguos a respeito.

O primeiro considera que a anexação da Crimeia deve ser resolvida pela ONU, mas recorda a questão "dos direitos dos povos de dispor de si mesmos", e o segundo reclama "uma conferência de segurança do Atlântico aos Urais para negociar as fronteiras".

Le Pen e Fillon também defendem uma suspensão das sanções contra a Rússia pela crise ucraniana, que a UE reafirma a cada seis meses, apesar das divergências entre vários países.

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