Franceses votam no 1º turno da eleição presidencial mais disputada em décadas

Paris, 23 Abr 2017 (AFP) - Os primeiros locais de votação fecharam neste domingo na França após o primeiro turno de uma eleição presidencial extremamente disputada e crucial para o futuro da União Europeia, em um dia no qual a ameaça terrorista não impediu um elevado índice de participação.

Os eleitores das grandes cidades têm uma hora a mais para votar. Os primeiros resultados devem ser divulgados a partir das 18H00 GMT (15H00 de Brasília).

Estas são as eleições de resultado mais imprevisível da história recente da França, com uma disputa muito acirrada entre quatro dos 11 candidatos.

O centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen lideravam as pesquisas de intenção de voto publicadas nas sexta-feira, mas o conservador François Fillon e o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon estavam muito próximos.

A diferença entre eles é tão curta que está dentro da margem de erro, o que significa que qualquer um dos quatro pode passar ao segundo turno.

Três horas antes do fim da votação, a participação era de 69,42% às 15H00 GMT (12H00 de Brasília), um pouco abaixo do registrado no mesmo horário em 2012 (70,59%), mas ainda assim um dos índices mais elevados dos últimos 40 anos.

A abstenção ficaria entre 19% e 22%, de acordo com as estimativas de vários institutos de pesquisa.

O nível de mobilização dos 47 milhões de eleitores é uma das incógnitas das eleições pelo grande número de indecisos nas pesquisas.

A votação acontece pela primeira vez sob estado de emergência. No total. 50.000 policiais e 7.000 militares foram mobilizados para garantir a segurança em todo o território francês.

O atual presidente francês, François Hollande, pediu aos eleitores do país uma demonstração de que a "democracia é mais forte que tudo".

Todos os candidatos votaram durante a manhã. Emmanuel Macron, acompanhado da esposa, Brigitte, depositou o voto em Touquet (norte) e Marine Le Pen em reduto eleitoral de Hénin-Beaumont, também na região norte do país.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (FN), de 48 anos, espera beneficiar-se da onda populista que resultou na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen defende a saída do euro e da UE, promessas que, caso cumpridas, poderiam representar um golpe fatal a um bloco já fragilizado pelo Brexit.

Macron, ex-ministro da Economia do presidente socialista François Hollande, fez uma campanha com um programa abertamente europeísta e liberal.

Ao capitalizar a irritação dos franceses com os partidos tradicionais, O ex-executivo do setor bancário, praticamente desconhecido há apenas três anos e que nunca disputou uma eleição, pode se tornar, aos 39 anos, o presidente mais jovem da França.

- Ameaça terrorista -A reta final da campanha foi abalada por um atentado na emblemática avenida Champs Elysées de Paris, em um país traumatizado por uma onda de ataques jihadistas que deixaram mais de 230 mortos desde 2015.

Apesar da dificuldade de medir o impacto do ataque, alguns analistas acreditam que poderia reduzir a brecha na intenção de voto entre os principais candidatos.

A campanha foi atípica. Com uma impopularidade recorde, Hollande não tentou disputar um novo mandato, algo nunca visto na França em mais de 60 anos.

O primeiro-ministro Manuel Valls foi eliminado nas primárias do Partido Socialista por um candidato mais à esquerda, Benoît Hamon.

A campanha também foi marcada pelos problemas judiciais de vários candidatos, o que relegou ao segundo plano o debate das questões importantes, principalmente econômicas, em um país taxa de desemprego próxima de 10%.

O conservador François Fillon perdeu a condição de favorito depois que a imprensa revelou que sua esposa, Penelope, e dois de seus cinco filhos se beneficiaram de empregos públicos supostamente fictícios, pelos quais receberam centenas de milhares de euros.

Indiciado por desvio de recursos públicos e apropriação indébita de bens sociais, Fillon, que alega inocência, não abriu mão da candidatura, apesar das várias deserções ao seu redor.

Marine Le Pen também é objeto de uma investigação por supostos empregos fictícios no Parlamento Europeu, onde ocupa uma cadeira de eurodeputada, e por supostas irregularidades no financiamento de campanhas passadas. Ao contrário de Fillon, se nega a ser interrogada pela justiça, invocando sua imunidade.

A última surpresa veio da esquerda radical. Mélenchon, um ex-socialista que virou o símbolo do partido "França Insubmissa", subiu nas pesquisas e se aproximou de Fillon com um discurso combativo contra o que ele considera "a casta" política.

Mélenchon, que já elogiou Hugo Chávez e Fidel Castro, afirmou que está disposto a sair da UE se o bloco não encerrar a política de austeridade.

Os dois candidatos com o maior número de votos neste domingo disputarão o segundo turno em 7 de maio.

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