Comandante do Pentágono visita o Afeganistão após ataque dos talibãs

Cabul, 24 Abr 2017 (AFP) - O secretário de Defesa americano, Jim Mattis, desembarcou nesta segunda-feira em Cabul para uma visita surpresa, poucas horas depois da renúncia de seu colega afegão após um grande atentado talibã contra uma base militar.

Mattis, que serviu no Afeganistão, chegou ao país menos de uma hora após o anúncio dos pedidos de demissão do ministro da Defesa afegão, Abdullah Habibi, e do comandante do Estado-Maior do exército, o general Qadam Shah Shahim.

Os dois renunciaram após o ataque de sexta-feira contra uma base militar do norte do país, reivindicado pelos talibãs, que deixou mais de 100 mortos.

Em sua primeira visita ao Afeganistão na condição de comandante do Pentágono, Mattis terá reuniões com várias autoridades afegãs, incluindo o presidente Ashraf Ghani.

Poucas horas antes, o ministro da Defesa e o comandante do Estado-Maior do Afeganistão apresentaram os pedidos de demissão.

As saídas foram definidas poucos dias depois de um ataque talibã que deixou mais de 130 mortos em uma base militar na região norte do país.

"O presidente Ashraf Ghani aceitou os pedidos de demissão do ministro da Defesa e do comandante do Estado-Maior", afirma um comunicado da presidência.

Os afegãos exigiam a saída do ministro Abdullah Habibi e do comandante do Estado-Maior, Qadam Shah Shaheem, após o ataque em um base militar de Mazar-e-Sharif (norte) na sexta-feira.

Muitos consideram que o ataque de sexta-feira foi o mais violento que os talibãs já executaram contra uma base militar.

Dez homens com uniformes militares e fortemente armados entraram em uma base do exército em tanques e abriram fogo contra os soldados da base, que estavam reunidos na mesquita e no refeitório, desarmados.

O balanço definitivo do ataque não foi divulgado, mas dependendo da fonte oscila entre 130 e 160 mortos.

O governo mencionou "mais de 100 mortos e feridos".

Muitos afegãos criticaram o governo por sua incapacidade para contra-atacar o ataque, o segundo grande atentado dos talibãs depois da ação de março contra o maior hospital militar do país, em Cabul, que deixou mais de 50 mortos.

A visita do chefe do Pentágono também acontece menos de duas semanas depois de o exército americano ter lançado a bomba de maior potência de seu arsenal convencional contra posições subterrâneas do grupo Estado Islâmico no leste do Afeganistão, um ataque que matou 96 jihadistas.

O governo dos Estados Unidos, que apoia as forças afegãs na luta contra o terrorismo, mantém 8.400 soldados no país e, além de coordenar as operações da Otan, realiza bombardeios aéreos contra as posições da Al-Qaeda, os talibãs e o grupo EI.

O general John Nicholson, que comanda a operação da Otan 'Resolute Support', afirmou em fevereiro no Congresso americano que seriam necessários "alguns milhares" de soldados adicionais para acabar com os insurgentes.

Apesar de uma reunião prevista com o general Nicholson, nada parece indicar que o secretário de Defesa fará um anúncio neste sentido.

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