Ataque aéreo da Turquia contra posições curdas na Síria deixa 18 mortos

Beirute, 25 Abr 2017 (AFP) - Ao menos 18 pessoas morreram nesta terça-feira em um bombardeio da Força Aérea turca contra posições curdas no nordeste da Síria, informou a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

"Os mortos são combatentes e funcionários de imprensa das Unidades de Proteção Popular (YPG)", afirmou a ONG, que tem uma grande rede de fontes no país em guerra.

As YPG confirmaram vítimas no bombardeio, mas não divulgaram um balanço.

Ancara considera as Unidades de Proteção Popular um "grupo terrorista" porque estão aliadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, separatistas curdos turcos).

De acordo com as YPG, os aviões turcos executaram antes do amanhecer um ataque "contra uma base que abriga um centro de comunicação para a imprensa e instalações militares", perto da cidade síria de Al-Malikiya, próximo da fronteira turca.

No vizinho Iraque, o exército da Turquia também bombardeou grupos armados locais que estariam vinculados ao PKK, mas matou, aparentemente por acidente, seis membro das forças de segurança curdas iraquianas.

"Contamos seis mártires", afirmou o general Jabbar Yawar, secretário-geral do ministério responsável pelas forças curdas (peshmergas) no governo da região autônoma do Curdistão iraquiano.

De acordo com ele, a força aérea turca tinha como alvo uma milícia yazidi aliada do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma organização considerada terrorista por Ancara.

O exército da Turquia confirmou bombardeios no Iraque para "destruir esconderijos dos terroristas que tomam nosso país como alvo".

"As operações continuarão com a mesma determinação até a neutralização do último terrorista", afirma um comunicado militar.

Estes foram, de acordo com o OSDH, os primeiros ataques turcos na Síria desde que Ancara anunciou em março o fim de sua campanha militar "Escudo do Eufrates".

A operação iniciada em agosto pretendia, de acordo com a Turquia, lutar contra o grupo Estado Islâmico (EI) e também combater as YPG.

A aviação turca realizou ataques contra as forças curdas no norte da Síria, entre elas as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão de milícias curdo-árabes à qual pertencem as YPG respaldadas pelos Estados Unidos.

As FDS entraram na segunda-feira em Tabqa, uma cidade estratégica no caminho para Raqa, reduto do EI no norte da Síria.

A guerra da Síria, que começou em 2011 com a repressão violenta do regime às manifestações que pediam reformas democráticas, se tornou mais complexa com o envolvimento de milícias, potências regionais e internacionais e grupos terroristas.

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