Grande explosão perto de Damasco provavelmente provocada por ataque de Israel

Beirute, 27 Abr 2017 (AFP) - A enorme explosão desta quinta-feira na zona do aeroporto de Damasco provavelmente foi provocada por um ataque aéreo israelense contra vários depósitos e provocou apenas danos materiais, informou o Hezbollah libanês, grupo aliado ao regime sírio.

Caso o envolvimento de Israel seja confirmado este seria o segundo ataque em quatro dias do país contra alvos na Síria, onde o Hezbollah - um dos grandes inimigos do Estado hebreu - luta ao lado do regime de Bashar al-Assad contra rebeldes e jihadistas.

Em Jerusalém, o exército de Israel se recusou a comentar a informação.

"O correspondente da Al-Manar informou que na madrugada desta quinta-feira aconteceu uma explosão em vários depósitos de combustível e um armazém do aeroporto internacional de Damasco e que provavelmente foi provocada por um ataque aéreo israelense", afirma o site da emissora que pertence ao Hezbollah.

O Aeroporto Internacional de Damasco está situado 25 km a sudeste da capital síria.

"As informações preliminares indicam que o ataque provocou apenas danos materiais, sem vítimas", completou a Al-Manar, sem especificar o tipo de armazém nem se pertencia ao Hezbollah, ao exército ou a outro grupo pró-regime.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) citou uma "enorme" explosão que provocou incêndios, mas sem especificar as causas.

Desde o início da guerra na Síria, Israel executou vários ataques no país contra alvos sírios ou do Hezbollah libanês, aliado de Damasco.

No domingo, três milicianos leais ao regime morreram em um bombardeio israelense contra um acampamento na localidade de Quneitra, nas Colinas de Golã. O exército de Israel também se negou a comentar a informação.

Em 13 de janeiro, Damasco acusou Israel de ter bombardeado o aeroporto militar de Mazze, ao oeste da capital, o que provocou incêndios. Neste aeroporto fica o serviço de inteligência da Aeronáutica.

Em 2016 vários mísseis israelenses atingiram os arredores desta base militar, segundo a imprensa estatal síria.

No ano passado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitiu que Israel atacou dezenas de comboios de armas destinadas ao Hezbollah.

De acordo com o regime sírio, o aeroporto de Damasco foi alvo de um ataque aéreo em dezembro de 2014.

Israel está preocupado com a presença na Síria do Hezbollah, um de seus principais adversários, que tem o apoio do Irã e das forças iranianas que respaldam o regime de Bashar al-Assad.

Em 17 de março, Israel e Síria tiveram o incidente mais grave em muitos anos. Um ataque israelense perto de Palmira (centro) contra alvos que o governo de Israel afirma que estavam relacionados com o Hezbollah provocou uma resposta antiaérea das forças sírias e um disparo de míssil, interceptado quando seguia em direção ao território israelense.

Os dois países estão oficialmente em guerra há décadas. Israel e Líbano, vizinho da Síria, tecnicamente também estão em guerra.

Em 2006 um conflito entre Israel e Hezbollah, o grupo armado mais poderoso do Líbano, deixou 1.200 mortos em território libanês, a maioria civis. Do lado israelense foram registradas 160 mortes, a maioria de soldados.

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