Macron e Le Pen duelam sobre visões da França a seis dias da eleição

Paris, 1 Mai 2017 (AFP) - A seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, o centrista Emmanuel Macron e sua rival de extrema direita, Marine Le Pen, se enfrentam em um áspero duelo sobre suas visões da França, rejeitadas por manifestantes que desfilaram nas ruas neste 1º de maio.

O jovem centrista de 39 anos, que tem vantagem sobre sua rival segundo as pesquisas, se ergueu como o defensor da democracia, enquanto Le Pen pediu aos seus partidários que rechacem quem encarna o mundo das "finanças".

Os dois aspirantes ao posto do socialista François Hollande se enfrentarão na quarta-feira em um debate televisionado.

As manifestações de 1º de maio aconteceram na França de forma dividida. Enquanto alguns pediam que parassem a líder da Frente Nacional, outros pediam o voto para Macron. Outro grupo, descontente com os dois candidatos, convocava o povo para vencê-los.

Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 142.000 pessoas se manifestaram em todo o país. O sindicato CGT estimou a participação em 280.000. Na capital, foram registradas confusões entre encapuzados e as forças de segurança. Quatro policiais ficaram feridos.

- Diante da FN, "espírito de resistência" -"O projeto da extrema direita é a violência extrema contra os opositores políticos [...], é a redução das liberdades, a negação das diferenças. Não se esqueçam nunca!", insistiu Macron em Paris diante de 12.000 militantes, segundo sua equipe de campanha.

Contra este projeto que desembocará "na guerra civil, na divisão da França", "devemos dar a vez ao espírito de resistência diante da extrema direita e de seu renascimento", continuou o candidato.

Sem hesitar ao fazer alusões ao espectro do fascismo dos anos 1930, Macron acusou sua rival de ameaçar a "liberdade de imprensa", os "direitos da mulher" e advertiu para um "empobrecimento dos franceses" se o país sair da zona do euro.

- Bloquear o candidato do "rei dinheiro" -Em um país atingido pela desindustrialização e um desemprego endêmico de 10%, a candidata de ultradireita, que tenta suavizar a imagem de seu partido, se apresenta como a candidata "do povo e dos operários".

Em um discurso agressivo, Marine Le Pen convocou os franceses a "bloquear as finanças, a arrogância, o rei dinheiro", acusando seu rival de ser "o candidato do sistema" por ter trabalhado no setor bancário e como ministro do presidente socialista François Hollande.

"O senhor Macron é uma concepção radical, extremista da União Europeia", acrescentou acusando seu adversário de querer "submeter" a França à "chanceler alemã", Angela Merkel, e "entregá-la à submersão migratória", "aos maus ventos da globalização selvagem".

Nesta tarde, uma polêmica envolveu a candidata por seu discurso, em que elogiava a França. Nele, pelo menos quatro trechos foram baseados em uma declaração feita há 15 dias pelo candidato conservador François Fillon, eliminado no primeiro turno.

Procurado pela AFP, Florian Philippot, vice-presidente do partido de Le Pen, disse que era um "aceno" por parte de "uma candidata de unidade que mostra que não é sectária".

A margem entre os candidatos se aperta cada vez mais no segundo turno. As pesquisas dão a Macron 59% das intenções de voto, e a Le Pen 41%.

- Nem um, nem outro -Por todo o país, dezenas de milhares de pessoas se manifestaram contra Marine Le Pen, mas também contra o liberalismo de Emmanuel Macron.

Mas a união sindical que se formou em 2002 contra a classificação para o segundo turno do pai da candidata da Frente Nacional, o ultradireitista Jean-Marie Le Pen, não se repetiu desta vez.

Este ano, os sindicatos estão divididos sobre as indicações para os eleitores e, inclusive, sobre o lema para a tradicional marcha do Dia do Trabalho.

"Nosso slogan é claro: Frente Nacional deve ser vencida para o progresso social. A FN é um partido racista, xenofóbico, contra as mulheres e liberal", declarou o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez.

Mas nas fileiras de manifestantes muitos asseguravam que não queriam nem um, nem outro.

Em Paris, Camille Delaye, professor de 28 anos, agitava um cartaz onde aparecia: "a abstenção é um ato político". "Se votar em Macron, vamos favorecer ainda mais Le Pen", argumentava.

O magistrado da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, participou do desfile de 1º de maio. Mélenchon ficou em quarto lugar no primeiro turno das eleições com 19,6% dos votos, e se colocou contra Le Pen, mas sem pedir votos para Macron.

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