Alemanha rejeita campos de refugiados como solução na Líbia

Adis Abeba, 2 Mai 2017 (AFP) - A Alemanha não apoiará um projeto que pretende criar campos de refugiados na Líbia para acolher os que querem chegar ao território europeu - declarou nesta terça-feira (2) o ministro alemão das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, na sede da União Africana (UA).

Em fevereiro, com apoio da ONU, a Itália e o governo líbio firmaram um acordo com o intuito de que a União Europeia financiasse essas instalações.

Em coletiva de imprensa ao lado do presidente da Comissão da UA, Mussa Faki Mahamat, Gabriel apontou que os imigrantes vivem em "péssimas condições" nos campos da Líbia, e que a construção de mais locais como esse não solucionará a questão.

"Posso afirmar que isso não corresponde à visão política da Alemanha, ou da União Europeia. O que mais tentamos fazer é estabilizar os países do continente", declarou na sede da UA, instalada na capital etíope, Adis Abeba.

O ex-ministro chadiano das Relações Exteriores disse compartilhar a opinião de Gabriel, ressaltando que, nos "imensos territórios do Saara e do Sahel, é muito difícil instalar campos para controlar esse fluxo de seres humanos".

"Isso nunca foi uma boa solução", completou.

O acordo assinado em fevereiro passado entre Itália e Líbia limita a saída dos imigrantes em situação clandestina com a criação de campos de alojamento. Além disso, também propõe que sejam incentivados a voltar para seus países de origem, nos casos em que não conseguirem obter o "status" de refugiado.

O pacto foi suspenso em 22 de março pelo Tribunal de Apelação de Trípoli.

No total, cerca de 550 mil imigrantes chegaram à Itália entre 2013 e 2016, e 37 mil desde o início de 2017. Mais de 4.500 morreram, ou desapareceram, em 2016, na tentativa de atravessar o mar Mediterrâneo. Desde o início deste ano, foram pelo menos mil.

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