Diretor do FBI sente 'náuseas' em pensar que influenciou eleições nos EUA

Em Washington

  • Kevin Lamarque/Reuters

    O diretor do FBI, James Comey, presta depoimento no Senado americano, em Washington

    O diretor do FBI, James Comey, presta depoimento no Senado americano, em Washington

O diretor do FBI, James Comey, afirmou nesta quarta-feira (3) sentir "náuseas" ao pensar que possa ter influenciado as eleições do ano passado ao anunciar dias antes da votação que reabrira a investigação sobre o caso dos e-mails de Hillary Clinton.

No entanto, o chefe do FBI declarou ante uma audiência do Comitê Judicial do Senado dos Estados Unidos que ocultar sua decisão poderia ter sido muito piior.

"Sinto náuseas em pensar que pudemos ter tido um impacto na eleição, mas, honestamente, isso não muda minha decisão", enfatizou.

Hillary Clinton afirmou nesta terça-feira que teria sido eleita presidente dos Estados Unidos se não fosse pela intervenção do WikiLeaks e da Rússia e pelo diretor do FBI nas últimas semanas da campanha.

"Estava no caminho para a vitória até que a carta de Jim Comey de 28 de outubro e o WikiLeaks russo geraram dúvidas na cabeça das pessoas que se inclinavam a meu favor e que acabaram ficando com medo", declarou a ex-candidata democrata à Casa Branca em Nova York, ao ser entrevistada por um jornalista durante uma atividade da ONG Women for Women International.

"Se a eleição tivesse acontecido no dia 27 de outubro, eu teria sido presidente", disse.

Em 7 de outubro, um mês antes das eleições, o site WikiLeaks vazou mensagens do presidente da equipe de campanha de Hillary, John Podesta, menos de uma hora depois de a imprensa divulgar um vídeo de 2005, no qual Donald Trump falava de mulheres em um tom grosseiro.

"Que coincidência", ironizou Hillary Clinton, sugerindo que Wikileaks e Rusia agiram para atenuar o impacto do vídeo de Trump.

Semanas depois, em 27 de outubro, James Comey anunciou ao Congresso que agentes do FBI (a Polícia Federal americana) haviam encontrado novas mensagens que justificavam reabrir as investigações sobre os e-mails apagados pela democrata na época em que utilizava um servidor privado quando era secretária de Estado.

O FBI não encontrou, porém, qualquer dado incriminatório nos e-mails de Hillary Clinton e arquivou as investigações dois dias antes das eleições de 8 de novembro.

"Cometi erros? Por Deus, sim", acrescentou Hillary.

"Mas a razão, pela qual perdemos, está nos acontecimentos dos dez últimos dias" da campanha, disse a ex-candidata, insistindo em que os votos antecipados e as pesquisas lhe davam a vitória.

Seguindo as conclusões do governo de Barack Obama, ela acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de ter operado contra ela pelo ódio que sentia desde 2011. Na época, a então chefe da diplomacia americana criticou as eleições na Rússia.

"Quando se observa meu adversário e as declarações de sua equipe de campanha, vê-se que estavam bastante coordenados com os objetivos do líder, cujo nome não direi", afirmou, referindo-se a Putin.

"Tive três milhões de votos a mais do que meu adversário", lembrou a democrata.

Trump perdeu pelo sufrágio popular, mas ganhou pelo voto indireto.

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