Golfinhos selvagens estão mais doentes que os que vivem em cativeiro

Miami, 4 Mai 2017 (AFP) - Os golfinhos selvagens estão expostos a mais poluentes do que os golfinhos em cativeiro, o que poderia explicar porque mostram taxas mais altas de doenças, disseram pesquisadores americanos nesta quarta-feira.

O estudo, publicado na revista científica PLOS ONE, analisou a saúde de duas populações de golfinhos selvagens, uma na Flórida e outra na Carolina do Sul, e as comparou com populações em cativeiro na Geórgia e na Califórnia, que se mostraram muito mais saudáveis.

Menos da metade dos golfinhos selvagens estudados estavam "clinicamente normais", e muitos tinham seus sistemas imunológicos cronicamente ativados, o que significa que estavam lutando contra alguma doença.

"Isto é provavelmente o resultado da interação com patógenos, parasitas e poluentes derivados de atividades humanas no oceano que não existem em habitats zoológicos muito controlados", disse Patricia Fair, pesquisadora da Universidade Médica da Carolina do Sul.

Nos humanos, este tipo de resposta imunológica crônica foi vinculada com o câncer, as doenças do coração e uma maior vulnerabilidade a doenças infecciosas.

O coautor do estudo Gregory Bossart, diretor veterinário do Georgia Aquarium, estudou a saúde de mais de 360 golfinhos que vivem na lagoa Indian River, na Flórida, e em Charleston, na Carolina do Sul.

Desde 2003, ele e outros pesquisadores documentaram "doenças infecciosas emergentes, tumores, bactérias resistentes a antibióticos e níveis alarmantemente altos de poluentes em golfinhos de ambas as populações silvestres", afirmou o estudo.

Como predadores grandes, próximos ao topo da cadeia alimentar, os golfinhos acumulam as toxinas ingeridas por suas presas.

Os estudos mostraram que os golfinhos da lagoa Indian River tinham altos níveis de mercúrio.

Pesquisas anteriores também encontraram evidências de doenças fúngicas nestes golfinhos, "assim como novos vírus emergentes e agentes infecciosos, alguns dos quais são também potenciais patógenos humanos", apontou o estudo.

Em Charleston, Carolina do Sul, os golfinhos tinham altos níveis de substâncias químicas orgânicas introduzidas por humanos, que provavelmente provinham de fontes industriais.

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