Coreia do Norte acusa a CIA de complô para assassinar Kim Jong-un

Em Seul

  • Wong Maye-E/ AP

    15.abr.2017 - O ditador norte-coreano Kim Jong-un durante desfile militar em Pyongyang

    15.abr.2017 - O ditador norte-coreano Kim Jong-un durante desfile militar em Pyongyang

A Coreia do Norte acusou nesta sexta-feira (5) a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos de conspirar com a Coreia do Sul para assassinar o líder do país, Kim Jong-Un, em um momento de grande tensão na região.

A CIA e os serviços de inteligência de Seul planejaram um "vicioso complô com substâncias bioquímicas" para assassinar o dirigente norte-coreano durante cerimônias públicas em Pyongyang, afirma em um comunicado o ministério da Segurança do Estado.

A acusação foi divulgada após a intensificação da guerra verbal entre Coreia do Norte e Estados Unidos nas últimas semanas. O governo de Donald Trump adotou uma retórica áspera, dizendo estar pronto para, sozinho, resolver a questão norte-coreana.

Há poucos dias, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou na ONU que "todas as opções estão sobre a mesa" a respeito da Coreia do Norte e as ameaças de testes nucleares.

O anúncio de Pyongyang também acontece após o assassinato em fevereiro na Malásia do meio-irmão do líder norte-coreano, Kim Jong-Nam. Ele foi envenenado com VX, um poderoso agente neurotóxico, e tanto a Malásia quanto a Coreia do Sul acusaram o regime comunista.

Em seu comunicado divulgado pela agência oficial de notícias KCNA, o ministério norte-coreano afirma que a CIA e os serviços de inteligência sul-coreanos (IS) "corromperam ideologicamente e subornaram um cidadão norte-coreano chamado Kim" para executar o ataque contra o líder do país.

Cita um "assassinato usando substâncias químicas que incluem substâncias radioativas e nano-substâncias venenosas", que "é o melhor método, pois não requer aproximação do objetivo, e seus efeitos letais aparecerão depois de seis ou 12 meses", afirma o comunicado, citado pela imprensa estatal.

Declaração de guerra

Segundo o comunicado, o ataque poderia ser realizado durante um desfile militar no mausoléu que abriga os corpos do pai do líder norte-coreano, Kim Kong-Il, morto em 2011, e de seu avô, Kim Il-Sung, o pai fundador da nação.

Mas uma operação deste tipo seria extremamente difícil de preparar e executar, estando o líder norte-coreano constantemente cercado de medidas de segurança.

O comunicado não revela mais informações sobre como o complô teria sido desbaratado ou o que aconteceu com o suposto espião que deveria executar o crime. De acordo com o ministério, o homem, que teria um cúmplice chinês, recebeu até 740.000 dólares e equipamentos, incluindo material de transmissão.

"Vamos expor e destruir impiedosamente o último terrorista da CIA e da inteligência fantoche da Coreia do Sul", acrescenta a declaração, que diz que o complô é equivalente a "uma declaração de guerra".

"O crime hediondo que foi recentemente descoberto e frustrado na RPDC revela o terrorismo não só contra a Coreia do Norte, mas também contra a justiça e a consciência da humanidade e um ato de mutilação contra o futuro da humanidade", acrescenta.

Segundo analistas, as acusações poderiam ser uma tentativa preventiva de dissuadir Washington de conduzir um ataque cirúrgico contra a liderança norte-coreana.

O comunicado é divulgado um dia após a aprovação pela Câmara de Representantes dos Estados Unidos de novas sanções contra a Coreia do Norte, visando principalmente cortar as fontes de financiamento internacional.

As tensões aumentaram nos últimos meses na península em razão dos programas nuclear e de mísseis norte-coreanos. A Coreia do Norte, que tenta produzir mísseis com capacidade de transportar ogivas nucleares até o continente americano, executou cinco testes nucleares, dois deles em 2016. Muitos analistas acreditam que o sexto teste nuclear é iminente.

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