Macron: aos 39 anos, alavancado para um tumultuado plano internacional

Paris, 7 Mai 2017 (AFP) - O jovem Emmanuel Macron, eleito presidente da França neste domingo (7), entrará no restrito clube das principais lideranças mundiais sem uma experiência internacional de fato, em um contexto de conflitos e tensões em todo planeta.

Depois de uma ascensão meteórica, Macron, de 39, terá de lidar com uma agenda internacional que inclui enfrentar as consequências do Brexit, a crise migratória e a guerra da Síria.

Os primeiros encontros mundiais de alto nível já estão marcados: a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 25 de maio, em Bruxelas; seguida da cúpula do G7, na Itália, e da cúpula europeia, em junho; além da reunião do G20, em julho, na Alemanha.

Neste início, pelo menos, Macron contará com o clima de alívio com sua vitória entre os dirigentes europeus, os quais manifestaram seu apoio a esse defensor de uma maior integração europeia, contra sua oponente da extrema direita, a candidata anti-UE, Marine Le Pen. Na direção contrária, Macron defende "uma França forte em uma Europa que protege".

O centrista recebeu o apoio da chanceler alemã, Angela Merkel; do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; e até o ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, uma das referências da esquerda radical na Europa. O grego apoiou o ex-ministro francês da Economia por ter sido "o único" que tentou ajudar Atenas durante a crise da dívida nesse país.

Macron também obteve o apoio simbólico, mas prestigioso, do ex-presidente americano Barack Obama, substituído no poder por Donald Trump, em 20 de janeiro passado.

- 'Não sou fascinado por Putin'Sobre a Rússia de Vladimir Putin, Macron manteve uma distância segura, em sintonia com a linha europeia.

"Não sou daqueles fascinados pela força. Não sou fascinado por Putin", desconversou o político, em declarações no mês passado.

Com Moscou, prometeu um "diálogo exigente" - em particular no que diz respeito à guerra na Síria e à crise na Ucrânia.

"A política internacional é um clube e se põe à prova todo aquele que ingressa nele pela primeira vez", explicou o especialista em Relações Internacionais Bertrand Badie.

"Sem dúvida, muitos vão dizer: é jovem, novo, podemos tapeá-lo, mas sempre há surpresas, imprevistos", acrescenta, citando como exemplo que poucos anteciparam a vertente militar de François Hollande.

O presidente francês em final de mandato, que chegou ao poder em 2012 também sem experiência internacional, envolveu a França - sem titubear - em intervenções militares no Mali, na República Centro-Africana e na coalizão internacional contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Macron prometeu que a luta antiterrorista será uma de suas prioridades e se disse determinado a manter uma "colaboração forte" com Washington, apesar da imprevisibilidade do presidente Donald Trump.

Segundo o general Jean-Paul Paloméros, antigo chefe do Estado-Maior da Força Aérea, o compromisso militar francês - tanto no Sahel quanto no Oriente Médio - se manterá "no formato atual". Atualmente, 6.500 homens intervêm em operações exteriores.

O ex-ministro da Economia não antecipou, porém, qualquer proposta nova em matéria internacional. Suas posições se inscrevem na continuidade da Política Externa de seu predecessor, "trabalhando no âmbito das alianças".

Em relação à América Latina, Macron tampouco mostrou uma visão particular. Já Hollande promoveu as relações bilaterais com várias viagens pelo continente e foi o primeiro chefe de Estado ocidental a visitar Cuba, após o anúncio do degelo com os Estados Unidos.

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