'Vou te servir com amor', promete Macron à França em discurso da vitória

Paris, 8 Mai 2017 (AFP) - Com a "Ode à Alegria" de Beethoven ao fundo, Emmanuel Macron foi recebido por milhares de franceses, que gritavam seu nome em frente à pirâmide do museu do Louvre, em Paris, onde ele jurou servir à França com amor.

A pirâmide de vidro e alumínio na esplanada do mítico museu parisiense foi iluminada por luzes douradas quando o presidente eleito, de 39 anos, chegou ao cenário previsto para a ocasião.

"Esta noite a França venceu", clamou, entre aplausos e gritos de alegria ao centrista pró-UE, que se tornará o presidente mais jovem da França, depois de ter derrotado no domingo, com mais de 65% dos votos, a candidata ultradireitista Marine Le Pen no segundo turno das presidenciais.

"Todo mundo nos disse que era impossível, mas não conhecem a França", acrescentou com a pirâmide ao fundo este jovem que até três anos atrás era um total desconhecido, antes de jurar ao país: "Vou te servir com amor".

Pouco depois, sua esposa, Brigitte, uma elegante loira de olhos azuis 24 anos mais velha, uniu-se a ele no estrado, sem conseguir conter as lágrimas.

Ambos, junto aos filhos e netos dela, aos quais considera seus, cantaram a Marselhesa.

"É um símbolo de esperança. É como Obama oito anos atrás. É a juventude, a oportunidade. Vejam sua equipe, tem gente de todos os horizontes", disse, exultante, Jean-Luc Songtia, um taxista de 36 anos.

Apesar da queda da noite e da temperatura, centenas de pessoas continuavam chegando à Esplanada do mítico museu, no coração de Paris, para ver em carne e osso seu presidente. Segundo a equipe de Macron, 40.000 pessoas estavam no lugar.

Os "helpers", voluntários da equipe do presidente eleito, distribuíam entre a multidão, a sua maioria na casa dos 20 anos, bandeiras nas cores nacionais (branca, azul e vermelha), e camisetas com o nome do movimento "nem de esquerda, nem de direita" de Macron, o Em Marcha!

Em pleno estado de emergência, as medidas de segurança para entrar na esplanada foram excepcionais. Um falso alerta teria obrigado, horas antes, a evacuação do local, onde estavam credenciados 1.800 jornalistas.

Uma festa de rua improvisada perto do Louvre, onde se ouvia música ao vivo, continuava animando centenas de pessoas passada a meia-noite.

A avenida Champs Elysées, a mais famosa do mundo, também virou uma festa com a divulgação dos resultados. Motoristas faziam buzinaços, agitavam bandeiras nacionais e imortalizavam o momento com selfies.

"Simplesmente a aniquilou", disse, entusiasmado, Abdel Ukil, de 31 anos. "Estava certo de que não superaria 40%" dos votos, acrescentou, em alusão a Le Pen, que em Paris conquistou apenas 10% do eleitorado com seu programa anti-imigração e antieuropeu.

Seu resultado "mostra que a Frente Nacional, embora com uma nova chapa, não pode vencer na França", comemorou Johanna, uma jurista de 32 anos, que junto com seu marido e seus dois filhos pequenos se reuniram em frente ao quartel-general de Macron.

A alta taxa de abstenção, a mais elevada na França desde 1969, preocupa alguns dos partidários do novo presidente.

"O povo não se sente representado, se sente esquecido", avaliou Sylvie Semet, de 58 anos. "Macron terá que trabalhar duro", concluiu.

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