Cidade polonesa de Zywiec quer repatriar restos mortais dos Habsburgo

Varsóvia, 8 Mai 2017 (AFP) - A cidade polonesa de Zywiec quer repatriar os restos do arquiduque Carlos Alberto de Habsburgo e os de sua esposa, enterrados em Estocolmo, onde foram exilados após a Segunda Guerra Mundial, informou nesta segunda-feira seu prefeito, Antoni Szlagor.

"Ambos serviram ao Estado polonês e merecem funerais nacionais", disse Szlagor, acrescentando que a cidade, que quer fazer coincidir a cerimônia com o seu 750º aniversário em 2018, conta com o acordo de seus descendentes Renata Maria e Carlos Esteban de Habsburgo.

O arquiduque Carlos Alberto foi oficial do exército polonês. Ele se recusou a se declarar alemão após a Alemanha nazista invadir a Polônia, e sua esposa Alicia Isabel Ankarcrona integrou o exército do Interior AK, um movimento de resistência dependente do governo polonês no exílio em Londres, recordou.

A recusa lhe custou caro. Os nazistas enviaram o arquiduque para um campo de trabalhos forçados e confiscou o palácio de Zywiec. Após a guerra, o regime comunista tomou o palácio e a família foi forçada ao exílio.

Os últimos proprietários do palácio de Zywiec deveriam descansar na capela dos Habsburgos na catedral, juntamente com outros membros da família, incluindo sua filha Maria Cristina.

Em 2001, após 60 anos no exílio na Suíça, a convite da cidade de Zywiec, a duquesa Maria Cristina de Habsburgo voltou a passar seus últimos anos de vida em um pequeno apartamento no palácio onde passou sua infância e onde morreu em 2012.

Os ancestrais de Carlos Alberto tomaram posse de Zywiec no início do século XIX, depois que a Rússia, Prússia e Áustria dividiram entre si a Polônia, quando os Habsburgos reinavam no Império Austro-Húngaro.

Quando a Polônia recuperou sua independência em 1918, o arquiduque Carlos Esteban obteve a nacionalidade polonesa, a fim de preservar os bens da família. Alguns monarquistas chegaram a propor que ele ocupasse o trono da Polônia.

"Não é engraçado? Vivo como inquilina em meu próprio palácio", declarou sua filha à AFP em janeiro de 2011.

A duquesa só foi capaz de recuperar a nacionalidade polonesa, que lhe havia sido retirada, assim como do resto de sua família, após a queda do comunismo em 1989.

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