'Os franceses gastam muito', disse Juncker a Macron

Berlim, 8 Mai 2017 (AFP) - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, pediu nesta segunda-feira ao presidente eleito da França, Emmanuel Macron, que reduza os gastos públicos do país quando chegar ao poder, avaliando que seu nível atual era insustentável no longo prazo.

"Enfrentamos com a França um problema particular, os franceses gastam muito dinheiro e gastam mal", declarou a jornalistas em Berlin Juncker, no dia seguinte de o centrista pró-europeu ter sido eleito para a presidência da França.

"Os franceses dedicam entre 53% e 57% de seu Produto Interno Bruto em seus orçamentos públicos, dado o nível relativamente alto da dívida, isso não pode funcionar no longo prazo", acrescentou Juncker.

"Cabe também aos franceses sinalizar aos outros" realizando as reformas necessárias, disse.

As declarações aconteceram dias antes de a Comissão Europeia publicar, na quinta-feira, suas previsões econômicas de primavera (boreal) para os países da UE, seguidas de recomendações.

A França é pressionada para que respeite as regras europeias do déficit público, que não deve superar os 3% do PIB.

Segundo as previsão do executivo europeu deste inverno (boreal), a França cumprirá por pouco seu compromisso neste ano, com um déficit público do 2,9%, após -3,3% em 2016. Mas seu déficit subiria de novo a 3,1% o ano que vem.

O presidente eleito francês previu em seu programa uma redução do gasto público de 60 bilhões de euros em cinco anos, através, entre outras medidas, da supressão de 120.000 postos de funcionários.

Ao mesmo tempo, pediu à Europa que se reforme e que não se concentre apenas em questões orçamentárias.

Jean-Claude Juncker, que viajou a Berlim para a apresentação de um livro do ministro alemão de Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, manifestou suas reservas sobre o projeto de Emmanuel Macron de instituir um ministro das Finanças da zona do euro.

"Isso aponta para uma gestação muito difícil pois todos os Estados da zona do euro não estão de acordo de que alguém instalado em Bruxelas ou em outra parte decida, acima dos parlamentos nacionais, a maneira como se deve fazer os orçamentos", avisou Juncker.

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