Abbas disposto a uma reunião com Netanyahu mediada por Trump

Ramallah, Territórios palestinos, 9 Mai 2017 (AFP) - O presidente palestino, Mahmud Abbas, anunciou nesta terça-feira que Donald Trump visitará "em breve" os Territórios Palestinos e se declarou disposto a participar em uma reunião com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sob a mediação do presidente dos Estados Unidos.

Trump aceitou o convite palestino para visitar os Territórios durante a viagem de Abbas a Washington na semana passada.

"Agora esperamos sua visita em breve em Belém", disse Abbas.

O presidente americano anunciou na quinta-feira que visitará Israel no fim de maio, durante uma viagem que também o levará a Arábia Saudita, Bélgica, Itália e ao Vaticano, mas não mencionou uma visita aos Territórios Palestinos.

Durante a reunião com Trump na semana passada, "afirmamos que estávamos dispostos a colaborar com ele e nos reunirmos com o primeiro-ministro israelense sob sua mediação para construir a paz", completou Abbas em declarações em Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, ao lado do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Abbas e Netanyahu não têm nenhuma reunião direta importante desde 2010. Os esforços para resolver um dos conflitos mais antigos do planeta estão bloqueados desde 2014, quando fracassou a última iniciativa diplomática americana.

Trump, que cita seu passado de homem de negócios, anunciou em várias ocasiões o desejo de presidir um acordo de paz entre israelenses e palestinos, algo que seus antecessores na Casa Branca não tiveram sucesso.

A ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental por Israel completa meio século este ano. Analistas concordam em afirmar que israelenses e palestinos nunca estiveram tão longe de um acordo de paz.

As duas partes trocam acusações sobre a ausência de diálogo.

Em sua visita a Washington, Abbas comunicou a Trump o compromisso palestino "a favor de uma paz baseada na justiça, e que tenha como referência as resoluções internacionais e a solução com dois Estados", ou seja, a criação de um Estado palestino junto a Israel, informou o presidente palestino nesta terça-feira.

Deve ser um Estado "soberano com as fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital", repetiu Abbas.

O governo Trump, que tomou posse em janeiro, intensificou os contatos para tentar retomar o processo.

"Vamos conseguir", afirmou o presidente americano durante a visita de Abbas na semana passada.

"Talvez sejam menos difícil do que as pessoas pensam há anos", disse.

Trump propôs o seu nome como "mediador", "árbitro" ou "facilitador", mas não explicou a maneira como deseja atuar nesta função.

Ao receber em fevereiro em Washington o "amigo" Netanyahu, Trump provocou dúvidas ao afirmar que "a solução com dois Estados" não era a única possível, rompendo com um princípio de referência defendido há vários anos pela comunidade internacional e todos os presidentes americanos anteriores, democratas ou republicanos.

O presidente alemão, que visita os Territórios Palestinos após uma viagem a Israel, recordou sua defesa de uma solução com dois Estados.

"Do nosso ponto de vista não há outra solução negociável", insistiu, antes de destacar que "é urgente implementar as propostas" para concretizar esta opção.

"A urgência da situação, o tempo que passa e as mudanças observadas no terreno tornam imperativo que a próxima tentativa tenha sucesso", disse.

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