EUA armará curdos na Síria contra Estado Islâmico

Washington, 9 Mai 2017 (AFP) - O governo do presidente Donald Trump decidiu armar as milícias curdas YPG na Síria para ajudá-las a recuperar a cidade de Raqa, capital do grupo jihadista Estado Islâmico, em uma decisão que deve provocar a ira da Turquia.

Trump autorizou o Pentágono a "equipar" as milícias curdas com "tudo o que for necessário para se obter uma clara vitória sobre o grupo Estado Islâmico (EI)" em Raqa, declarou o porta-voz do Pentágono Jeff Davis.

A decisão constitui uma importante mudança de rumo da administração americana, a menos de uma semana da visita do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a Washington, no dia 16 de maio.

O governo americano havia evitado, até o momento, desagradar a Turquia, membro da Otan e aliado estratégico de Washington, mas que considera as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) um braço na Síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), grupo separatista curdo.

A administração Trump decidiu entregar as armas às YPG diante do bom diagnóstico realizado pelo Pentágono sobre a eficiência da milícia curda na campanha síria e sua capacidade para realizar em breve o assalto à Raqa, considerado um golpe decisivo sobre o EI.

As YPG são a ponta de lança da coalizão curdo-árabe das Forças Democráticas Sírias (FDS) e "a única força capaz de tomar Raqa em um futuro próximo", declarou Jeff Davis. De qualquer modo, "estamos plenamente conscientes das preocupações dos turcos sobre sua segurança".

A entrega de armas aos curdos tem sido objeto de árduas discussões dentro do governo americano diante das consequências sobre as relações com a Turquia.

Tropas turcas têm enfrentado abertamente as milícias curdas nas últimas semanas no extremo norte da Síria, onde as duas forças deveriam integrar uma frente comum para apoiar a reconquista de Raqa.

No dia 27 de abril, aviões turcos atacaram as forças do YPG na Síria e no Iraque.

Nesta terça-feira, o secretário americano de Defesa, Jim Mattis, informou em Copenhague, onde ocorre uma reunião da coalizão que combate o EI, que a Turquia participará das operações militares para a reconquista de Raqa.

"Nossa intenção é colaborar com os turcos e receber sua colaboração para tomar Raqa", declarou Mattis em entrevista coletiva em Copenhague. "Vamos nos ocupar disto e buscar uma maneira de fazê-lo".

Mas os Estados Unidos não planejam ter forças turcas na ofensiva terrestre contra Raqa, acrescentou Mattis.

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