Macron e o quebra-cabeça para montar governo e disputar legislativas

Paris, 9 Mai 2017 (AFP) - O presidente eleito da França, Emmanuel Macron, em negociações para formar seu governo, recebeu nesta terça-feira o apoio do ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls, sinal do colapso do cenário político francês a um mês das legislativas.

O jovem presidente centrista e pró-europeu sabe que deve reunir personalidades da direita e da esquerda moderada, caso queira obter uma maioria parlamentar e aplicar sem freios suas reformas.

"Um quebra-cabeça", resumiu o jornal Le Parisien. Porque apesar de sua clara vitória no domingo contra a extrema direita, com 66% dos votos, Emmanuel Macron, de 39 anos, encontra-se à frente de uma França fraturada.

Eliminados no primeiro turno da eleição presidencial, pela primeira vez em sessenta anos, a direita (partido Os Republicanos) e o Partido Socialista esperam resolutamente a revanche nas legislativas de 11 e 18 de junho.

Ambas as formações se reúnem nesta terça-feira para definir sua estratégia contra o novo presidente: união sob condições, colaboração pontual ou oposição frontal?

Também precisam cerrar fileiras, enquanto vários de seus membros parecem tentados a se juntar ao acampamento presidencial.

Assim, os Republicanos avaliaram que "o projeto político de Emmanuel Macron" estava "fundado na confusão e em meias medidas. Levará, como aconteceu com François Hollande, ao fracasso, ao desemprego maciço e à desordem".

"Da minha parte, não tenho em mente nem uma obstrução sistemática, nem uma oposição frontal", relativizou Alain Juppé, prefeito de Bordeaux e figura proeminente da direita.

O prefeito de Le Havre (norte), Edouard Philippe, ligado a Juppé, é uma das personalidades avaliadas para o posto de primeiro-ministro de Emmanuel Macron.

Como nos Republicanos, François Baroin, seu chefe de fileiras, o Partido Socialista chamou à ordem os membros que estejam tentados a se unir ao bando presidencial, entre os quais se destaca o ex-premiê Manuel Valls, que afirmou que será "candidato da maioria presidencial" e que quer "se inscrever neste movimento".

"Impossível" em tal caso seguir no PS, insistiu o primeiro secretário do partido, Jean-Christophe Cambadélis.

Como Valls, o presidente em fim de mandato, François Hollande, teria votado em Macron desde o primeiro turno das eleições, declarou um ex-conselheiro de Hollande, Bernard Poignant, em um documentário difundido na terça-feira na TV pública francesa.

"Quando o vi um pouco antes do primeiro turno, disse-lhe: 'Escuta, no domingo que vem, 23 de abril, teremos o mesmo voto: Macron' (...) e me disse, então: 'este será meu voto, mas um voto da razão'", afirmou o ex-conselheiro.

Nos extremos do jogo político, a Frente Nacional (FN), de Marine Le Pen, que obteve 34% dos votos no domingo, e o movimento França Insubmissa, do líder da esquerda radical Jean-Luc Melenchon (19,5% dos votos no primeiro turno) esperam que estes resultados se traduzam nas urnas nas legislativas.

Neste contexto, Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine Le Pen e importante figura de seu partido no sudeste da França, anunciou sua saída temporária da política.

Valls complica MacronDiante dos múltiplos adversários, está o movimento do centrista que se organiza para as eleições.

Este movimento, criado há um ano, sem uma rede local, foi renomeado "A República em Marcha". Na quinta-feira, anunciará os nomes de seus 577 candidatos às legislativas.

As últimas definições se anunciam delicadas, entre promessas de renovação - 50% dos candidatos não devem ter tido cargos eletivos anteriores - e a eficácia.

Nesse contexto, a oferta de Manuel Valls complica o jovem movimento.

"Primeiro, tem que fazer ato de candidatura", respondeu Christophe Castaner, porta-voz de Macron, destacando que seriam as instâncias do movimento as que elegeriam os candidatos.

O presidente eleito tem outra prioridade. Deve escolher um primeiro-ministro capaz de unir o país. Macron anunciará sua decisão depois da posse, na manhã de domingo, no Palácio do Eliseu.

Macron foi cumprimentado por vários dirigentes europeus e de todo o mundo, mas recebeu também uma advertência da Comissão Europeia, que reclamou que a França respeite seus compromissos na redução do déficit.

O presidente da entidade, Jean-Claude Juncker, foi mais direto e exortou na segunda-feira que Macron reduza os gastos públicos.

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