Trump demite diretor do FBI, Jame Comey

Washington, 10 Mai 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump surpreendeu mais uma vez, ao anunciar a demissão do diretor do FBI (a Polícia Federal americana), James Comey, até agora à frente da agência encarregada da investigação sobre os laços de sua campanha com a Rússia.

De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, "o presidente aceitou a recomendação do procurador-geral e do vice-procurador-geral, em relação à demissão do diretor do Federal Bureau of Investigation".

Ainda segundo Spicer, a busca por um novo diretor começa "imediatamente".

Em uma carta, Trump disse a Comey: "você está, por meio desta, eliminado e exonerado do cargo, com efeito imediato".

"Embora eu aprecie enormemente você me informando, em três ocasiões diferentes, que eu não estou sob investigação, eu concordo com o julgamento, porém, do Departamento da Justiça de que você não está apto a efetivamente liderar o Bureau", declarou.

"É essencial que encontremos uma nova liderança para o FBI que restaure a confiança do público em sua missão vital de aplicação da lei", insistiu.

Os diretores do FBI (a Polícia Federal americana) são nomeados para um mandato único de dez anos. Comey, de 56 anos, bastante popular entre os agentes, tomou posse há quatro anos.

Esse ex-procurador federal e ex-subsecretário de Justiça ocupava, de fato, um posição cada vez mais difícil desde que recaiu sobre o FBI a investigação sobre a denúncia de ingerência russa na eleição presidencial de 2016.

Depois do explosivo caso dos e-mails da ex-secretária de Estado Hillary Clinton e do caso ainda mais sensível sobre a Rússia, aumentaram as acusações de Donald Trump a seu antecessor Barack Obama de que teria espionado seus telefonemas. Tudo acabou colocando Comey no centro nevrálgico das turbulências, com a missão impossível de evitar atritos com a Casa Branca.

Comey nem sempre seguiu à risca a cartilha de boa convivência com Trump, negando categoricamente, por exemplo, a veracidade dos grampos telefônicos. E fez isso sem se afastar da calma que caracteriza esse homem especialista em audiências perante comitês no Congresso.

Concentrado, com a testa franzida, James Comey se destacou nessa tarefa, conseguindo projetar uma imagem de fiel servidor da lei.

Trump recebeu a mensagem: as palavras do chefe do FBI, fortalecidas pelo caráter oficial das investigações supervisionadas por Comey, não se apagam facilmente.

- No olho do furacãoHillary Clinton sofreu na pele, quando Comey recomendou, em uma inesperada entrevista coletiva em julho de 2016, que não a denunciaria pelo caso dos e-mails enviados de um servidor privado durante sua gestão na diplomacia, mas comentou que a candidata democrata havia demonstrado "uma grande negligência".

Naquele dia, James Comey colocou a ex-primeira-dama na berlinda em plena campanha, mas - ainda assim - não agradou aos republicanos, que esperavam vê-la formalmente acusada perante da Justiça.

Quando, no final de outubro, dez dias antes da eleição em 8 de novembro, Comey relançou a história dos e-mails. Foi aplaudido pelos republicanos, que elogiaram sua autonomia - essa mesma autonomia da qual haviam duvidado há apenas poucos meses. Tudo parecia indicar que era capaz de liderar o FBI em meio às águas turbulentas da política extremamente partidarizada em Washington.

Notoriamente marginalizado pelos republicanos, Comey foi nomeado por Obama, mas Trump decidiu mantê-lo no cargo, após 20 de janeiro, início de seu governo.

No governo Obama, Comey ofuscou com frequência sua superior hierárquica, a então secretária de Justiça, Loretta Lynch. Ela ratificou as recomendações do chefe da Polícia Federal americana de não acusar Hillary.

Com essa polêmica investigação, Comey consolidou sua fama de franco-atirador, aguentando os ataques de todos os lados e saindo incólume. Até agora.

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