EUA antecipa 'métodos cada vez mais repressivos' e agravamento da crise na Venezuela

Washington, 11 Mai 2017 (AFP) - Os Estados Unidos previram nesta quinta-feira um aumento da repressão na Venezuela no decorrer de 2017 para conter o crescente descontentamento popular, à medida em que a crise econômica se aprofunda no país.

"O governo impopular e autocrático da Venezuela optará por métodos cada vez mais repressivos para conter os opositores políticos e o descontentamento das ruas", avaliou o diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats.

Durante uma audiência diante da Comissão de Inteligência do Senado, Coats apresentou o que seu gabinete considera as potências ameaças mundiais à segurança dos Estados Unidos.

Coats denunciou a Coreia do Norte como uma "ameaça cada vez mais grave à segurança nacional dos Estados Unidos" e considerou que a Rússia "será mais agressiva nos assuntos globais, e imprevisível em sua relação" com Washington.

Sobre a Venezuela, o diretor de Inteligência recordou que "o petróleo foi por muito tempo a galinha dos ovos de ouro do regime, mas a má gestão provocou uma queda na renda" e Caracas "terá problemas para conter a inflação, honrar o pagamento da dívida e comprar produtos básicos e medicamentos".

A dificuldade para os venezuelanos em obter comida e medicamentos, e uma inflação de três dígitos alimentam uma onda de protestos, com os manifestantes exigindo eleições gerais para acabar com o governo do presidente Nicolás Maduro, e estes problemas "provavelmente prosseguirão agravando as tensões ao longo de 2017", declarou Coats.

Os protestos, iniciados em 1º de abril após uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça de retirar as prerrogativas do Parlamento (controlado pela oposição), já deixaram 38 mortos e centenas de feridos e detidos.

O almirante Michael Rogers, diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), manifestou sua preocupação com a possibilidade de que o grande volume de armas que há na Venezuela caia nas mãos de civis que apoiam Maduro.

"Há muitas armas e o risco é real, sério e uma ameaça para a América do Sul e a América Central", além da Venezuela.

Em relação à Cuba, Washington prevê que o governo se concentrará em manter o controle político em meio a desaceleração econômica, enquanto prepara uma histórica transição para uma era sem um Castro no poder, a partir de 2018.

Havana "se concentrará em preservar o controle enquanto administra uma recessão", disse Coats. Em 2016, a atividade se contraiu 0,9%, arrastada pela crise da Venezuela, o maior parceiro da Ilha.

Para o México, a Inteligência americana antecipa que a crescente pressão popular para que o governo atue contra o crime e a corrupção elevarão a tensão política a medida em que se aproxima a eleição presidencial de 2018.

Os Estados Unidos também observam um aumento das tensões no Oriente Médio e na Ásia Central.

O grupo jihadista Estado Islâmico tem perdido força, mas sua capacidade para realizar e inspirar ataques multinacionais o mantém como uma "ameaça terrorista ativa", opinou Coats.

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