Ministros das Finanças do G7 renunciam a temas mais polêmicos em Bari

Bari, Itália, 12 Mai 2017 (AFP) - Os ministros das Finanças do G7 se reúnem nesta sexta-feira e no sábado na cidade italiana de Bari para abordar, entre outros temas, a visão econômica do novo governo americano, mas deixando de lado questões mais espinhosas, como o comércio mundial.

"Precisamos entender quais serão os planos, suas decisões. A administração (americana) já está há bastante tempo na função e temos a oportunidade de nos conhecermos melhor", declarou o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici.

Os países do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) estão preocupados pela nova orientação da administração americana em relação ao comércio internacional, após a eleição do presidente Donald Trump.

Durante uma sessão de trabalho "aberta e cooperativa", os ministros "não temeram fazer perguntas diretas e obtiveram respostas diretas", afirmou um alto responsável do Tesouro americano, que pediu anonimato.

Steven Mnuchin, o secretário americano do Tesouro, expôs as grandes linhas da reforma fiscal com a qual pretende reduzir a carga tributária das empresas e simplificar o imposto sobre a renda.

Também apresentou as prioridades de Washington sobre comércio e classificou o acordo sobre a venda de carne e os serviços financeiros concluídos na quarta-feira com a China de "exemplo do que [a administração Trump] tenta fazer no âmbito comercial".

"Os americanos são livres para eleger sua política. Mas espero que essa política se integre no contexto internacional, o que também significa multilateralismo" e "compromisso com o livre-comércio", acrescentou Moscovici.

O debate entre o livre-comércio e o protecionismo não estará, no entanto, na agenda do encontro em Bari e nas negociações entre os chefes de Estado e de governo do G7, que se reunirão na Sicília no final do mês, asseguraram as autoridades italianas, anfitriãs do encontro.

- Perguntas -"Acho que os Estados Unidos têm uma presença modesta [no G7]", opinou o ministro francês das Finanças, Michel Sapin. "Escutam, e isso significa que continua havendo reflexões, interrogações", acrescentou.

"Sinto que os Estados Unidos fazem perguntas. Isso pode ser expresso com tuítes, mas não se pode argumentar com tuítes e não se decide com tuítes", assegurou Sapin, que pediu a Washington que decida "de forma mais profunda" e "mais construtiva".

Moscovici lembrou que os sócios da Estados Unidos ainda esperam precisões sobre a agenda política da administração Trump, embora tenha considerado como um bom sinal o acordo comercial entre Washington e Pequim.

Essa iniciativa "demonstra ao menos uma coisa: não há uma atitude protecionista global. E demonstra certa capacidade para mudar de postura ideológica", disse o comissário europeu.

Os membros do G7 também queriam saber quando serão adotadas as medidas de estímulo econômico anunciadas por Trump e a reforma do imposto nos Estados Unidos. Alguns temem que o plano econômico do presidente aumente a cotação do dólar, altere a política monetária do Federal Reserve e prejudique os fluxos de capitais dos países emergentes.

Além do espinhoso tema do protecionismo, a Itália, que preside neste ano o G7, espera poder avançar com sua "agenda de Bari", um programa para reduzir as desigualdades.

O ministro italiano das Finanças, Pier Carlo Padoan, espera que seus colegas adotem um documento a favor de um crescimento inclusivo, em um momento em que cresce a insatisfação daqueles que se sentem excluídos da bonança nas economias desses países.

Os membros do G7 também previram falar do tema da evasão fiscal. Neste ponto, esperam ter avanços com a ajuda da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), que nos últimos anos transformou essa luta em estandarte.

Neste sentido, o G7 encarregará a OCDE de refletir sobre as formas de enfrentar esquemas cada vez mais complexos de evasão fiscal, informou um funcionário italiano.

Também se esperam avanços em relação à cibersegurança e à luta contra o financiamento ao "terrorismo", dois assuntos "estratégicos", concluíram Mnuchin e Padoan, em reunião bilateral celebrada na quinta-feira em Bari.

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