China inaugura cúpula sobre Novas Rotas da Seda

Pequim, 14 Mai 2017 (AFP) - A China inaugurou neste domingo sua cúpula internacional sobre o projeto de Novas Rotas da Seda, um encontro perturbado pelo lançamento de um míssil norte-coreano, apesar das advertências de Pequim.

O presidente chinês, Xi Jinping, inaugurou oficialmente a cúpula, que busca ressuscitar a antiga rota comercial utilizada nas transações entre a Europa e o Extremo Oriente. Trinta dirigentes participaram da iniciativa, que termina na segunda-feira.

No entanto, horas antes do início do evento, a Coreia do Norte disparou um míssil balístico que percorreu 700 km até cair no mar do Japão, anunciou o exército sul-coreano.

"A China se opõe às violações da Coreia do Norte das resoluções do Conselho de Segurança" das Nações Unidas, reagiu o ministério chinês das Relações Exteriores.

Nos últimos meses, Pequim advertiu sem parar Pyongyang contra novos testes de mísseis ou de munições nucleares.

Em uma reunião, Xi Jinping e seu colega russo, Vladimir Putin, "expressaram sua preocupação pela escalada de tensões", indicou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, no fim de janeiro, a tensão na península coreana aumentou e a administração americana advertiu que a opção militar estava "sobre a mesa" para obrigar o regime de Kim Jong-Un a abandonar seu programa nuclear, um objetivo para o qual espera contar com o apoio de Pequim.

Mas a China se mostrou reticente a qualquer uso da força contra Pyongyang, temerosa das consequências que um conflito na península coreana possa ter em sua fronteira, embora aplique as sanções internacionais contra a Coreia do Norte.

Este assunto abalou a abertura da cúpula, na qual participam delegações de Estados Unidos e da Coreia do Norte, na ausência dos principais dirigentes ocidentais.

- Cinturão terrestre e rota marítima -Xi Jinping lançou a iniciativa das Novas Rotas da Seda em 2013, pouco depois de chegar ao poder.

A versão 2017 do projeto tem o objetivo de criar um cinturão terrestre acompanhado de uma rota marítima através de investimentos em projetos ferroviários, de estradas, portuários ou energéticos, que incluirão a criação de parques industriais e zonas francas em Ásia, Europa Central, Oriente Médio e África.

A iniciativa, que reúne 65 países, tem o apoio ilimitado de Pequim e o Banco de Desenvolvimento da China previu investir mais de 800 bilhões de euros na execução de 900 projetos.

O gigante asiático busca garantir o abastecimento de matérias primas e a chegada de seus produtos aos seus principais mercados, principalmente a Europa.

A China tenta consolidar sua posição em nível internacional diante da guinada isolacionista do presidente americano.

"O isolamento leva ao atraso. A abertura é como o combate de uma crisálida que sai de seu casulo. Isso é acompanhado de sofrimento, mas de um sofrimento que cria uma nova vida", declarou Xi Jinping em seu discurso de abertura.

Alguns observadores suspeitam que a China, a segunda economia mundial, quer reforçar sua influência no comércio internacional através de investimentos que a ligariam com os países envolvidos, particularmente na Ásia central.

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