Ebola na RDC, desafios e oportunidades na zona isolada de difícil acesso

Kinshasa, 15 Mai 2017 (AFP) - O difícil acesso ao nordeste da República Democrática do Congo, afetada pelo vírus ebola, é um grande desafio logístico no envio da ajuda médica, mas representa também uma barreira natural que limita o avanço da doença, altamente contagiosa.

Na sexta-feira (12), as autoridades anunciaram que o país enfrenta a oitava epidemia de ebola desde a descoberta desse vírus em seu território em 1976.

A doença foi detectada na província do Bas-Uélé, cerca de 1.300 km ao nordeste de Kinshasa, na zona de saúde de Likati, zona perdida em plena selva equatorial.

Até agora foram identificados pelo menos nove casos suspeitos de pessoas infectadas pelo vírus. Três delas morreram. A presença do vírus foi detectada em uma das cinco amostras de sangue coletado dos pacientes suspeitos de terem contraído a doença, associada a um alto índice de mortalidade.

A República Democrática do Congo (RDC) é um dos países menos desenvolvidos do mundo e com uma enorme falta de infraestrutura.

Embora seja relativamente fácil enviar ajuda de avião até Kisangani - a grande cidade do nordeste do país, sobre o rio Congo - e, de lá, de estrada até Buta, a capital de Bas-Uélé, "depois disso complica", relata o chefe da missão na RDC da ONG de ajuda médica Alima, Régis Billaudel.

"Vamos estudar várias possibilidades de acesso" para cobrir a distância de cerca de 150 km entre Buta e Likati, combinando "canoa, ou lancha" ao longo do Itimbiri, afluente do Congo, e motos, afirma Billaudel, acrescentando que uma equipe da Alima já está a caminho.

É impossível pensar no transporte de carro.

"Os 4x4 não passam" pelos caminhos florestais locais, muito estreitos, detalha Eugène Kabambi, encarregado de comunicação da Organização Mundial de Saúde (OMS) na RDC.

"Levar material pesado em todas essas zonas, é um enorme desafio", acrescentou Billaudel.

- Apoio da ONU -A equipe da Médicos Sem Fronteiras (MSF) da Bélgica no Congo, que também prepara o envio de equipamentos, de material e de remédios em apoio à ação das autoridades congolesas, explica à AFP que há "muitos impedimentos logísticos" e prefere não falar de sua ação antes de conhecer a realidade do terreno.

Segundo Kabambi, a Missão das Nações Unidas no Congo (Monusco) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) deveriam "facilitar as rotações aéreas" para favorecer a chegada a Buta de material, pessoal médico e medicamentos, com a ajuda de helicópteros e de aviões usados na RDC.

Contida em menos de três meses, a epidemia anterior de ebola no Congo, que se declarou em uma zona isolada do noroeste do país em 2014, deixou 49 mortos.

"Há muitas semelhanças com a situação de 2014", afirma Kabambi, para quem a muito baixa densidade da população na zona afetada ajuda nos esforços mobilizados para combatê-la.

O isolamento "é, ao mesmo tempo, um desafio para a doença e seu desenvolvimento, e para os que lutam contra ela", resumiu Billaudel.

Ele destacou que mesmo no caso dos povoados, ou dos acampamentos maiores afastados uns dos outros, onde vivem apenas 100, ou 200 habitantes, é preciso evitar que o vírus se instale.

Para o representante da ONG Alima, é necessário "sensibilizar a população" sobre as precauções básicas de higiene que se tem de adotar para evitar a propagação da doença, transmitida muito rapidamente através dos fluidos corporais.

É fundamental "proteger o pessoal de saúde", frisou.

As autoridades congolesas pedem à população que "não ceda ao pânico", lembrando que a RDC já enfrentou sete epidemias de febre hemorrágica de ebola e, com isso, adquiriu certa experiência na resposta a essa doença.

No sábado (13), a OMS felicitou Kinshasa pela rapidez na reação frente ao ressurgimento da doença e manifestou a esperança de que a epidemia seja controlada "muito rapidamente".

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