Novas negociações de paz sobre a Síria em Genebra sem grandes esperanças

Genebra, 15 Mai 2017 (AFP) - A ONU inicia na terça-feira em Genebra uma nova rodada de negociações para acabar com a guerra na Síria, já ofuscada por discussões paralelas conduzidas pela Rússia, Irã e Turquia, bem como pela derrota dos rebeldes em Damasco.

Em seis anos, o conflito de violência sem precedentes matou pelo menos 320.000 pessoas, forçou milhões de sírios a deixar suas casas e destruiu a economia e infraestrutura deste país do Oriente Médio.

Os esforços para acabar com a guerra acontecem em dois circuitos: o processo político formal na sede da ONU em Genebra desde 2014, enquanto que negociações paralelas são realizadas desde janeiro em Astana, no Cazaquistão, por iniciativa da Turquia, que apoia os rebeldes, Rússia e Irã, aliados de Bashar al-Assad.

Desde a eleição de Donald Trump à Casa Branca, os Estados Unidos, que apoiam os rebeldes, afastaram-se do processo de paz que lideravam até então com a Rússia.

Numa coletiva de imprensa nesta segunda-feira em Genebra, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse estar "encorajado pelo empenho e interesse crescente da administração americana".

A ONU procura por todos os meios se manter na corrida, depois do importante acordo assinado em 4 de maio em Astana sobre a criação de "zonas de desescalada" na Síria para limitar o derramamento de sangue.

Desde a entrada em vigor do acordo, há uma semana, os combates diminuíram em muitas partes do país. Mas em Damasco, área que não não faz parte do acordo, o governo sírio conseguiu forçar a evacuação de três bairros rebeldes. Agora, o regime está prestes a tomar o controle de toda a capital síria.

Astana ofuscará GenebraNa semana passada, em Genebra, De Mistura indicou que a nova rodada de negociações seria "bastante curta" - cerca de quatro dias.

"A reunião de Astana, da qual participamos ativamente, deu resultados altamente e potencialmente promissores. Queremos ligar, tanto quanto possível, esses resultados com o horizonte político", disse ele.

Várias rodadas de negociações patrocinadas pelas Nações Unidas não obtiveram resultados. Apenas na última reunião, os participantes concordaram em discutir quatro temas: governança, uma nova Constituição, eleições e a luta contra o "terrorismo".

Apesar do "valor simbólico que representa, (as negociações de Genebra) não estão avançando", aponta Aron Lund, pesquisador da Fundação Century, um 'think tank' com sede nos Estados Unidos.

"Na prática, o processo de Genebra tem sido amplamente ofuscado por Astana, pelo menos até agora", acrescentou.

Os protagonistas começaram a chegar na segunda-feira a Genebra, na véspera das negociações.

A delegação do regime será liderada - como ocorreu desde o princípio - pelo embaixador sírio na ONU Bashar Al-Jaafari.

A da oposição, representada pelo Alto Comitê de Negociações (HCN), com sede em Riad, será conduzida por Nasr al-Hariri e Mohammad Sabra.

O HCN continua a exigir a saída de Bashar al-Assad como condição prévia para a transição política, o que é excluído pelo regime de Damasco.

"A chave para o sucesso... É uma transição para uma Síria livre, sem papel para Bashar al Assad ou para o terrorismo", declarou Hariri à imprensa em Genebra.

"O processo de Genebra está encerrado em um beco sem saída" sobre este assunto, explicou Lund à AFP.

"O principal efeito de relacionar a paz à transição é o de marginalizar a ONU em Genebra e fazer com que a atenção se volte para Astana", considerou.

O próprio presidente Assad menosprezou as próximas negociações de Genebra, ressaltando que "se trata principalmente de uma reunião para a mídia".

"Não há nada de substancial (...). É uma porcaria. Astana é diferente", declarou em uma entrevista à televisão bielorrussa ONT.

Questionado sobre isso, De Mistura respondeu que o que acontece em Genebra é mais "substancial" do que o que é dito na frente das câmeras.

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