Oposição venezuelana bloqueia ruas em protesto contra Maduro

Caracas, 16 Mai 2017 (AFP) - Milhares de opositores bloquearam avenidas e estradas nesta segunda-feira, o que provocou confrontos com as forças da ordem que deixaram ao menos doze feridos, no início da sétima semana de protestos para exigir a saída do presidente Nicolás Maduro do poder.

Dois policiais foram baleados, um na cabeça, na cidade de Valencia (norte), em meio aos protestos, informou no Twitter o governador do estado de Carabobo, Francisco Ameliach, que atribuiu o ataque a um franco-atirador.

Um líder juvenil também foi baleado na cabeça, na localidade de Colón (estado de Táchira), durante choques com militares, denunciou o parlamentar opositor Henry Ramos Allup.

Outras dez pessoas receberam impactos de balas de borracha em confrontos com a Guarda Nacional em Carabobo, Táchira e Mérida.

Ao menos 35 pessoas foram detidas nos protestos desta segunda-feira, incluindo 20 em Carabobo e seis em Nova Esparta, segundo a ONG Fórum Penal.

Também ocorreram incidentes nos estados de Zulia, Aragua e Lara.

Durante a jornada, os opositores bloquearam a importante autoestrada Francisco Fajardo, no leste de Caracas, enquanto no oeste as forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Sob o nome de "grande plantão contra a ditadura", o dia protesto provocou confrontos em Caracas e nos estados de Carabobo, Nova Esparta, Zulia, Aragua, Mérida e Táchira.

Maduro enfrenta uma onda de protestos desde 1º de abril, que já deixou 38 mortos e centenas de feridos e detidos, dos quais uma centena, segundo organizações de direitos humanos, estão sendo processados por tribunais militares.

"Não há liberdade, nos reprimem, não há comida e quando há é extremamente cara, seguirei nas ruas até que ocorra uma mudança", disse o docente Miguel Martínez.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) exige eleições gerais para resolver a grave crise política e econômica, que se reflete em uma forte escassez de alimentos e remédios, e na inflação mais alta do mundo, que chegaria a 720% neste ano, segundo o FMI.

"Meu pai faleceu por falta de medicamentos. Não há comida e quando encontramos, está caríssima. Aqui matam por um celular", declarou Katty Biagioni, pedagoga de 43 anos.

- Reunião da OEA -A Organização de Estados Americanos (OEA) aprovou nesta segunda-feira uma reunião de chanceleres para 31 de maio, em Washington, para avaliar a crise política na Venezuela.

Após adiar a definição da data na semana passada, uma maioria de 18 países fixou a reunião de ministros durante uma sessão do Conselho Permanente da OEA, da qual Caracas voltou a se ausentar.

O único voto negativo foi o da Nicarágua, enquanto outros treze países se abstiveram.

Sem a Venezuela presente, o embaixador nicaraguense, Luis Alvarado, representou a oposição à convocação, denunciando uma ação inamistosa e hostil.

- "Queremos sair disso" -Nas manifestações, os opositores também rejeitam a convocação do presidente a uma Assembleia Nacional Constituinte popular, com a qual, segundo eles, busca evitar as eleições e se agarrar no poder.

Mas Maduro, cuja gestão é rejeitada por entre 70% e 80% dos venezuelanos, de acordo com pesquisas privadas, afirmou no fim de semana que "em 2018, com chuva, trovão ou relâmpagos, a Venezuela terá eleições presidenciais", como ordena a lei.

Em dezembro, deveriam ter sido realizadas as eleições de governadores, mas o poder eleitoral as adiou e elas ainda não têm data, e neste ano estão previstas as de prefeitos.

Maduro afirma que a Constituinte é o único caminho para a paz, mas esta iniciativa aumentou a tensão política, já que ao menos a metade dos 500 assembleistas serão eleitos por setores sociais, nos quais o governo exerce forte influência, o que coloca em xeque o "voto universal".

"Não há forma de a Venezuela se calar (...) Enquanto houver ditadura, não haverá tranquilidade", disse Guevara.

A oposição realizou no sábado passado caravanas de veículos, bicicletas, motos e até de cavalos em várias regiões, e no domingo uma marcha por ocasião do Dia das Mães em Caracas.

"Queremos sair disso. Se tivermos que passar a vida inteira nas estradas, faremos isso", declarou à AFP María Fernández, de 56 anos.

Enquanto isso, Maduro, a quem as Forças Armadas declararam "lealdade incondicional", acusa seus adversários de promover "atos de terrorismo" para aplicar um "golpe de Estado".

O chefe do Parlamento, o opositor Julio Borge, pediu no domingo às Forças Armadas que iniciem um diálogo sobre a crise o país e que se coloquem "ao lado do povo".

Enquanto isso, A União Europeia pediu nesta segunda-feira uma solução pacífica na Venezuela e chamou "todas as partes" a se abster "de cometer atos violentos".

Em conclusões adotadas pelos chanceleres europeus, os 28 pedem que "todos os agentes políticos e as instituições da Venezuela trabalhem de forma construtiva em prol de uma solução para a crise", baseada no respeito aos direitos humanos e na separação de poderes.

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