O mundo se pergunta se Trump cometeu crime ao compartilhar informação com russos

Washington, 16 Mai 2017 (AFP) - A notícia de que o presidente americano, Donald Trump, revelou informações secretas a membros de alto nível de uma delegação russa que visitava a Casa Branca gerou algumas interrogações.

- Qual informação Trump compartilhou? -Segundo o jornal The Washington Post, Trump revelou detalhes secretos da intenção do grupo Estado Islâmico (EI) de instalar explosivos em laptops com a finalidade de fazer explodir aviões comerciais e citou a cidade da Síria onde se acredita que uma fonte da Inteligência conseguiu obter essa informação.

- Trump cometeu um crime? -O presidente americano tem amplos poderes para tornar público material sigiloso, concordam diferentes especialistas. Alguns argumentam que, simplesmente ao repetir uma informação secreta, o presidente está "desclassificando-a", como se diz no jargão da Inteligência. Sendo assim, nenhum crime teria sido cometido.

"Não acho que tenha feito nada ilegal. No geral, o presidente tem o poder de 'desclassificar' material. Mas seria possível alegar que foi descuidado. O fato de que se tenha autoridade legal para fazer algo não significa que o que você faz está certo", explicou a professora de Direito Cristina Rodríguez, da Universidade de Columbia.

- Quais regras ele violou? -Outros especialistas afirmam que divulgar um material tão secreto que os EUA sequer compartilharam com seus aliados - ainda mais com um adversário tão poderoso quanto a Rússia - poderia constituir uma violação do juramento que Trump fez na posse como presidente.

Neste ato, o presidente jurou "preservar, proteger e defender" a Constituição dos Estados Unidos e, nesse sentido, compartilhar informação secreta com Moscou - acusada de interferir na eleição presidencial do ano passado - pode ser visto como uma violação desse juramento.

"Poderia escalar ao nível de uma infração digna de um impeachment. Não precisa ter cometido um crime para isto. É possível enfrentar um impeachment por abuso de poder, ou abuso da confiança pública", disse Rodríguez.

- Quem poderia investigar? -Qualquer investigação que possa levar a um julgamento político precisaria ser impulsionada pelo Congresso. No entanto, como a informação foi divulgada entre funcionários russos de alto escalão e os congressistas democratas já pressionam para que se designe um procurador especial para investigar um possível conluio entre o comitê de campanha de Trump e a Rússia, esse procurador independente - se chegar a ser nomeado - também poderia considerar assumir este caso.

O professor de Direito da Universidade de Nova York David Golove afirmou que uma coisa é que Trump "só fanfarroneie em seu estilo incomparável" - o que poderia ser interpretado como imprudência -, e outra, se o fez como um "gesto de boa-fé" para cimentar suas relações com Moscou.

"Isso pode ser considerado como algo próprio de suas atribuições como comandante em chefe, mesmo que, de fora, possa parecer estúpido, ou equivocado", completou.

- O Congresso julgará Trump? -Os republicanos avalizaram o presidente, portanto, há ainda uma baixa probabilidade de que se mobilizem os procedimentos para um impeachment. A irritação da opinião pública pode pressionar o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, e ele teria de pesar esse inconformismo dos eleitores contra os interesses de seu partido.

"Não há probabilidades de um impeachment enquanto os republicanos protegerem Trump", afirmou Golove.

- A coleta de informação será afetada? -Alguns críticos temem que os aliados dos EUA não queiram compartilhar dados relevantes com organismos de Inteligência do país, ao considerar que essa informação pode terminar em mãos erradas. O jornal The New York Times noticiou que, neste caso específico, a informação veio de Israel, e a Rússia tem vínculos com o Irã, arqui-inimigo desse país.

Também existe o temor de que a Rússia possa utilizar a informação obtida para rastrear a própria fonte e evitar que seja utilizada contra suas próprias atividades na Síria.

"Deixando de lado o tema da legalidade, está claro que ninguém deve comprometer uma fonte de informação", afirmou Mark Rozell, decano de Governo e Política da Universidade George Mason.

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