Trump e Erdogan prometem aproximação após encontro na Casa Branca

Washington, 17 Mai 2017 (AFP) - Os presidentes Donald Trump e Recep Tayip Erdogan apareceram lado a lado na Casa Branca, nesta terça-feira (16), e prometeram trabalhar juntos para superar tensões recentes e redobrar seus esforços em matéria de segurança.

Depois de garantir o controle do país por meio de um referendo para ampliar seus poderes, o presidente turco Erdogan chega à capital americana com uma lista de queixas. Entre elas, o apoio dado pelos Estados Unidos à milícia curda na Síria e a proteção de Washington a Fethullah Gulen, acusado por Ancara de ser o mentor intelectual de um fracassado golpe de estado no país, em 15 de julho passado.

Momentaneamente, os dois puseram suas diferenças de lado para renovar o apoio a uma aliança fundamental entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Turquia, associados na luta contra o grupo Estado Islâmico (EI).

Trump foi um dos primeiros líderes a felicitar Erdogan por sua vitória no referendo de 16 de abril. Hoje, na Casa Branca, o presidente turco devolveu a gentileza, elogiando o colega americano por sua "vitória lendária" nas eleições do ano passado.

"É claro, a vitória do senhor Trump levou a que se despertem novas expectativas para a Turquia e para a região em que estamos. Sabemos que o novo governo não permitirá que essas esperanças sejam em vão", disse Erdogan na Casa Branca.

Trump homenageou a "contribuição histórica" da Turquia para a aliança militar europeia e ressaltou: "Agora, enfrentamos um novo inimigo na luta contra o terrorismo e, novamente, esperamos enfrentá-lo juntos".

As relações entre Estados Unidos e Turquia se tensionaram nos últimos meses do governo de Barack Obama por duras disputas sobre o apoio americano aos combatentes curdos na Síria.

As autoridades turcas tinham esperança de abrir uma "nova página", depois das disputas com Obama, mas o otimismo esfriou, após o anúncio da administração Trump de que os Estados Unidos vão armar as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) na Síria. Esse grupo é considerado terrorista pelo governo Erdogan.

"É absolutamente inaceitável considerar as YPG como aliados na região, e vai contra qualquer acordo global que alcancemos", disse Erdogan.

"Do mesmo modo, nunca deveríamos permitir esses grupos, que querem mudar a estrutura étnica, ou religiosa, na região para usar o terrorismo como pretexto", acrescentou, sugerindo que os curdos estavam usando a luta contra o EI como cobertura de seus propósitos separatistas.

Outro obstáculo para melhorar as relações entre Estados Unidos e Turquia foi a presença no estado da Pensilvânia do religioso Fethullah Gulen. Erdogan deixou claro que espera passos de Washington sobre o destino de Gulen, que nega qualquer papel no golpe, enquanto Ancara quer que ele seja extraditado e julgado em seu país.

No final do dia, ocorreram incidentes diante da residência do embaixador da Turquia em Washington, onde seguranças de Erdogan enfrentaram manifestantes do Partido da União Democrática curdo.

A polícia restabeleceu rapidamente a ordem, mas nove pessoas foram levadas ao hospital, uma em estado crítico, segundo os serviços de emergência.

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