Venezuela pode seguir o caminho da Síria, diz Washington na ONU

Nações Unidas, Estados Unidos, 18 Mai 2017 (AFP) - Os Estados Unidos alertaram na ONU, nesta quarta-feira (17), que a Venezuela poderá seguir o caminho de países como a Síria, se a instabilidade continuar crescendo e os direitos humanos não forem respeitados.

A Venezuela rejeitou, por sua vez, a "ingerência" dos Estados Unidos na crise, que já deixou 43 mortos nas últimas sete semanas, e garantiu na ONU que resolverá seus problemas por conta própria.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu a crise venezuelana hoje, a portas fechadas, a pedido dos Estados Unidos. Para a Venezuela e para outros países, como Bolívia e Uruguai, a discussão no Conselho não é necessária, alegando que não há riscos para a paz, nem para a segurança internacional.

- Guterres: 'Uma grande preocupação' -Falar de Venezuela no Conselho foi uma tentativa de "prevenção", porque "já fomos por esse caminho antes, com a Síria, com a Coreia do Norte, com o Sudão do Sul, com o Burundi, com Myanmar", disse à imprensa a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"Claramente estamos começando a ver uma grave instabilidade na Venezuela", afirmou.

A crise "não está melhorando, está piorando, e o que estamos tentando dizer é que a comunidade internacional precisa dizer 'respeitem os direitos humanos de sua população', ou isso irá na direção que vimos tantos outros se dirigirem", advertiu.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, declarou-se pela primeira vez muito preocupado com a situação na Venezuela e afirmou que está em contato com vários mediadores para facilitar uma saída para a crise.

"A Venezuela é, para mim, uma grande preocupação" pelas dificuldades políticas e pela violência, mas também por suas "gravíssimas dificuldades econômicas e sociais", reconheceu Guterres, nesta quarta-feira, em uma entrevista de imprensa em Estrasburgo, na França, acompanhado do presidente do Parlamento Europeu.

- 'Não aceitamos ingerência' -Após a reunião do Conselho, o embaixador venezuelano na ONU, Rafael Ramírez, denunciou "a postura intervencionista" de Washington, que, em sua opinião, "estimula os grupos mais violentos".

"A Venezuela resolverá sus problemas internos (...) Nós mesmos faremos isso", disse a jornalistas, mostrando uma série de fotos de supostos manifestantes armados e de tanques da Guarda Nacional incendiados.

Haley garante que a Venezuela está "à beira da crise humanitária" e que a comunidade internacional deve trabalhar de maneira conjunta para garantir que o presidente Nicolás Maduro "devolva a democracia ao povo".

A oposição venezuelana exige eleições gerais e rejeita uma Assembleia Constituinte "popular" convocada por Maduro, por considerá-la uma "fraude", com a qual busca se perpetuar no poder.

"Manifestantes pacíficos foram feridos, detidos e inclusive mortos pelas mãos de seu próprio governo. Não há remédios, os hospitais não têm materiais, e é difícil encontrar comida", declarou a embaixadora americana.

Os protestos que acontecem diariamente desde 1º de abril têm como combustível uma grave crise econômica e social no país, em meio à escassez de alimentos e de remédios, à inflação mais alta do mundo e à criminalidade descontrolada.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, denunciou recentemente uma "verdadeira tragédia" no país caribenho.

A Venezuela decidiu se retirar da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os ministros das Relações Exteriores do continente se reúnem em 31 de maio para discutir o quadro.

Nikki Haley anunciou que os Estados Unidos apoiam a reunião da OEA, mas, se o governo venezuelano não ouvir seu povo, "certamente ouviremos isso no Conselho de Segurança, porque será um problema real não apenas na região, mas internacionalmente".

O embaixador do Uruguai, Elbio Rosselli, país que neste momento preside o Conselho de Segurança, explicou que a Venezuela não é um tema na agenda do organismo e, segundo ele, "não deve ser".

"O Conselho não adotou qualquer decisão" sobre a Venezuela, relatou o embaixador.

O tema não está na agenda "e na minha opinião não tem por que estar. O Uruguai prefere manter isso (...) nos organismos regionais", alegou.

O embaixador da Bolívia na ONU, Sacha Llorenti, que também é membro temporário do Conselho, foi além.

"Esta é uma claríssima intenção intervencionista" dos Estados Unidos, denunciou.

"Os Estados Unidos não são um mediador. Adotaram uma posição e apoiaram a oposição. Por isso, essa reunião mais do que ajuda a resolver o problema é um obstáculo", protestou.

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