Iranianos votam em massa para escolher seu presidente

Teerã, 19 Mai 2017 (AFP) - Os iranianos votaram maciçamente e com entusiasmo nesta sexta-feira para escolher seu presidente, em eleições determinantes para o futuro do atual chefe de Estado, o moderado Hassan Rohani, e sua política de abertura ao mundo, após o acordo nuclear com as grandes potências.

O ministério do Interior teve que estender a votação até a meia-noite, pois milhares de pessoas continuavam fazendo fila após as 20h00 locais (12h de Brasília), hora de fechamento das seções eleitorais.

Após doze horas de votação, 30 milhões de eleitores dos 56,4 milhões de inscritos tinham votado, segundo veículos de comunicação.

Rohani, um religioso de 68 anos, disputa um último mandato de quatro anos com o conservador de Ebrahim Raisi, de 56 anos, próximo do guia supremo, aiatolá Ali Khamenei.

Antes de encerrado o dia de votação, o grupo de Raisi denunciou "infrações" e exigiu uma intervenção imediata contra "ações de propaganda de algumas autoridades e simpatizantes do governo" a favor do presidente em fim de mandato.

Além disso, denunciaram que o nome de Ebrahim Raisi estava mal apresentado nas listas das seções eleitorais e que não havia cédulas suficientes nas "áreas carentes", mais favoráveis ao candidato conservador.

Raisi se apresenta como o defensor dos pobres e pretende priorizar "a economia de resistência", sustentada pela produção nacional e os investimentos nacionais.

Espera-se que o vencedor seja proclamado no primeiro turno e os resultados definitivos deverão sair no máximo até domingo.

Votar em famíliaEm família ou entre amigos, os eleitores esperavam pacientemente, às vezes durante horas, pela vez de votar, tirando selfies ou falando de política.

"A participação entusiasmada dos iranianos na eleição reforça o poder e a segurança nacional", declarou o presidente Rohani depois de ter votado em Teerã pela manhã de um dia ensolarado.

Seu concorrente, Ebrahim Raisi, que votou em uma mesquita de um bairro operário do sul da capital, antecipou "uma participação máxima".

Um dos primeiros a votar na urna instalada em sua residência de Teerã foi Khamenei, que pediu aos compatriotas a irem às urnas "maciçamente, o quanto antes".

O célebre cineasta iraniano Asghar Farhadi votou em Cannes (sul da França), onde participa do festival internacional de cinema, em uma das urnas móveis que a embaixada do Irã instalou na França, noticiou a agência de notícias Isna.

Entre os muitos eleitores, Hadi, carpinteiro de 28 anos, afirmava que mesmo se "nada mudou particularmente" em sua vida com Rohani, votava igualmente nele "pelas relações com o resto do mundo e nada mais".

No entanto, Mohamed Ali Serkani, de 23 anos, futuro engenheiro, preferiu Raisi porque para ele "a cultura islâmica, a economia e a ciência são os setores mais importantes".

DesconfiançaAs eleições ocorreram dois dias depois da decisão dos Estados Unidos de renovar a suspensão das sanções contra o Irã, conforme o acordo nuclear firmado em 2015 entre Teerã e as superpotências.

O presidente Rohani, eleito em 2013 com 50,7% dos votos, dedicou a maior parte de seu primeiro mandato de quatro anos às negociações deste acordo, que permitiu iniciar a abertura econômica e política de seu país.

Mas a desconfiança entre Teerã e Washington persiste, duas potências que romperam relações diplomáticas depois da Revolução Islâmica de 1979.

Este clima acentuou-se desde a chegada ao poder do presidente americano, Donald Trump, que esta semana assistirá a uma cúpula com dirigentes muçulmanos de todo o mundo na Arábia Saudita, grande adversária do Irã na região.

Contudo, a ambição de Rohani é continuar com a abertura internacional para atrair mais investimentos, enquanto Raisi quer defender as classes mais desfavorecidas.

Além da conclusão do acordo nuclear, o presidente em fim de mandato pode se vangloriar de ter conseguido uma impressionante queda da inflação, que diminuiu cerca de 40% em 2013 aos cerca de 9,5% atuais.

Sem questionar o acordo nuclear, Ebrahim Raisi denunciou a falta de resultados deste compromisso, que não favoreceu os mais necessitados, aos quais Raisi diz querer defender.

Raisi critica os números negativos de desemprego, que atingem 12,5% da população e 27% dos jovens e acusa o governo Rohani de agir apenas para os "4% mais ricos" do país.

Além destas presidenciais, foram celebradas eleições municipais. O desafio nas grandes cidades de Teerã, Machhad (nordeste) e Ispahan (centro) é conseguir a mudança da maioria conservadora que as dirige.

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