Michel Temer vai discursar novamente aos brasileiros

Brasília, 20 Mai 2017 (AFP) - O presidente Michel Temer, alvo de denúncias de corrupção, vai discursar à nação neste sábado, anunciou a secretaria de comunicação da presidência em Brasília.

"Teremos pronunciamento do Presidente no Palácio do Planalto", anunciou uma fonte.

O discurso acontecerá às 14H00.

Este será o segundo pronunciamento de Temer desde quarta-feira à noite, quando começou a ser revelado o conteúdo de uma gravação na qual o presidente dava o suposto aval ao pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, detido atualmente, para comprar seu silêncio.

No discurso de quinta-feira, Temer rejeitou de modo veemente a possibilidade de renunciar, apostando na força de sua base aliada, que serviu até o momento para compensar o nível recorde de impopularidade e evitar um processo de impeachment no Congresso.

A aposta é cada vez mais arriscada, depois que novas revelações levaram a Procuradoria Geral da República (PGR) a acusar o presidente na sexta-feira de tentativa de obstrução à justiça.

Segundo a PGR, Temer teria atuado em coordenação com o senador e ex-candidato à Presidência Aécio Neves, suspenso do cargo na quinta-feira (18), para impedir a continuação da Operação 'Lava Jato'.

O Partido Socialista Brasileiro (PSB), que integra a base governista, discute neste sábado sua permanência no governo, onde ocupa o ministério de Minas e Energia.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado que Michel Temer tem que deixar o cargo "logo", e considerou que seu substituto deve ser definido por eleições diretas.

"Nós queremos que o Temer saia logo, mas não queremos um presidente eleito indiretamente", disse Lula durante a posse dos novos integrantes do diretório municipal do PT em São Bernardo do Campo, São Paulo.

As acusações se baseiam nas delações premiadas dos executivos da gigante mundial alimentícia JBS, entre eles seus donos, Joesley e Wesley Batista.

As delações só serão consideradas provas depois de validadas pela Justiça.

Desde quarta-feira (17), o Brasil vive um estado de comoção política, quando o jornalista Lauro Jardim, do Jornal O Globo, revelou uma conversa entre Temer e Joesley Batista, na qual, segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, o presidente deu sua anuência ao pagamento de propina para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

O STF abriu uma investigação sobre o caso.

O presidente Temer, de 76 anos, negou enfaticamente as acusações, assim como os pedidos para que renunciasse.

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