Chavismo marcha em Caracas entre violência que deixa 51 mortos

Caracas, 23 Mai 2017 (AFP) - O chavismo marchará nesta terça-feira em Caracas em rechaço ao aumento da violência nos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixam 51 mortos em oito semanas e que a oposição atribui a uma "selvagem repressão" pelos militares e policiais.

"Convoco todo o povo da Venezuela em massa para ir às ruas com a bandeira tricolor da paz, da tolerância e do amor [...]. Convoco a grande marcha da paz", chamou Maduro no domingo passado durante seu programa semanal na emissora estatal VTV.

A mobilização oficialista ocorre depois de mais um dia de manifestações opositoras que acabou em confrontos.

As tensões aumentaram no estado de Barinas, onde três pessoas morreram na segunda-feira feridas por tiros, confirmou a Procuradoria.

Também houve comércios saqueados e instituições públicas incendiadas, denunciou o vice-presidente Tareck El Aissami.

Maduros e funcionários do governo de alto escalão acusam os dirigentes da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) de "atos de terrorismo" para desencadear um golpe de Estado.

"Não temos uma oposição. Temos forças contrarrevolucionárias. Estamos enfrentando uma oposição terrorista", insistiu na segunda El Aissami.

Segundo o Ministério Público, os protestos já deixam 51 mortos e milhares de feridos. Enquanto isso, a organização de direitos humanos Fórum Penal denuncia 2.660 prisões desde 1º de abril, com 161 detenções ordenadas por tribunais militares.

Maduro começou a falar nos últimos dias de uma "corrente nazi-fascista" que, sustenta, cresce na oposição. Assegurou há uma semana que os chavistas são "os judeus do século XXI".

A oposição não está disposta a voltar atrás. "Na quarta-feira voltaremos às ruas. Isso vai continuar? Sim, isso vai continuar pelos que morreram [...] e pelas crianças que morrem pela falta de antibióticos", disse na segunda-feira o deputado opositor José Manuel Olivares.

Nesta terça-feira, o Parlamento debaterá sobre "o uso desproporcional da força da ordem pública, da tortura, da repressão e dos crimes contra o direito internacional".

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