Campanha de desinformação e espionagem da Rússia atinge 39 países, diz estudo

Em Washington

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A campanha de desinformação e espionagem da Rússia impactou centenas de organizações e indivíduos de pelo menos 39 países, junto a organismos como a ONU e a Otan, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (25).

Um relatório do Citizen Lab da Universidade de Toronto revelou a existência de "uma grande campanha de desinformação com centenas de alvos no governo, na indústria, no exército e na sociedade civil", disse o pesquisador Ronald Deibert.

Os achados sugerem que os ataques cibernéticos à campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016, que foram atribuídos à Rússia pela Inteligência americana, foram somente a ponta do iceberg.

Pesquisadores do Citizen Lab afirmaram que a espionagem afetou não apenas o governo e os objetivos militares e indústrias, como também jornalistas, acadêmicos, figuras da oposição e ativistas.

De acordo com o relatório, entre os alvos destacados estão incluídos um ex-primeiro-ministro russo, ex-funcionários de alto escalão dos Estados Unidos, membros de gabinetes da Europa e da Eurásia, embaixadores, altos comandos militares e diretores-executivos de companhias de energia.

Deibert destacou em um post de um blog que a campanha dirigida pela Rússia segue um padrão de ataques de "phishing" para obter referências dos alvos, e misturar cuidadosamente os vínculos "contaminados" com informações verdadeiras e falsas para criar uma confusão sobre os acontecimentos reais.

"A Rússia tem um longo histórico de experiência no que é conhecido como 'dezinformatsiya', inclusive desde a época soviética", disse Deibert.

"Relações contaminadas, tais como essas analisadas em nosso relatório, apresentam desafios complexos para o público. Informação falsa espalhada em material genuíno - 'falsidades em um bosque de fatos'... É muito difícil distinguir", indicou.

Deibert disse que os pesquisadores não têm uma evidência para relacionar os vínculos da campanha com uma agência do governo específica, mas disse que o "nosso relatório confirma o que tem sido publicamente reportado por setores da indústria e do governo sobre a ciberespionagem russa".

Um dos alvos foi o jornalista americano David Satter, que escreveu sobre a corrupção na Rússia. Seus e-mails foram roubados, "alterados de forma seletiva" e depois vazados para dar a falsa impressão de que ele fazia parte de um complô da CIA para desacreditar o presidente Vladimir Putin.

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