Prisioneiro americano enfrenta oitavo encontro com a morte

Em Washington

  • Alabama Department of Corrections via AP

    Tommy Arthur, apelidado de "Houdini do corredor da morte", foi condenado por assassinato

    Tommy Arthur, apelidado de "Houdini do corredor da morte", foi condenado por assassinato

Um condenado por assassinato no Alabama, no sul dos Estados Unidos, será executado nesta quinta-feira (25) depois que seus advogados o ajudaram a evitar a aplicação da pena capital em sete ocasiões no passado.

Nas vezes anteriores em que esteve a ponto de ser executado, Tommy Arthur, de 75 anos, convidou sua família para o corredor da morte para lhe dizer adeus.

Mas em cada ocasião a execução foi postergada, evitando a injeção letal. Na sétima vez já não quis convidar seus familiares: era muito doloroso.

Conhecido como "o Houdini da morte", Arthur deveria ser amarrado a uma maca na câmara de execução às 23h GMT desta quinta-feira (20h de Brasília), no que será o seu oitavo - e possivelmente o último - encontro com o sistema de pena capital do estado do Alabama.

Arthur foi sentenciado à morte pela primeira vez em 1983 por um assassinato que ele assegura não ter cometido. Desde então, 58 presos já foram executados no Alabama, enquanto ele tem conseguido evitar a sua. Na última vez, em novembro de 2016, conseguiu uma suspensão da execução minutos antes de ser preso na maca para receber a injeção letal.

Seu caso tem sido criticado tanto pelos que apoiam a pena de morte como pelos que se opõem. Estes últimos veem o que aconteceu como uma forma de tortura psicológica, enquanto os partidários da pena de morte acreditam que Arthur e seus advogados têm brincado com o sistema legal para burlar a Justiça.

Arthur foi declarado culpado de conspirar com sua então amante, Judy Wicker, para assassinar seu marido Troy, de modo que ela pudesse receber o seu seguro de vida. Judy foi acusada de pagar 10 mil dólares a Arthur pelo crime.

Ele já havia cumprido cinco anos de prisão pelo assassinato, em 1977, de sua meia-irmã, e desde estão gozava do benefício da liberdade condicional. Declarou ser culpado pelo primeiro assassinato, embora afirme que foi um acidente que atribui ao fato de estar bêbado no momento. Mas sempre negou o homicídio de Wicker.

A sobrinha de Troy Wicker declarou à imprensa do Alabama que a execução significará para a família um fim definitivo após décadas de dor: "espero que não voltem a suspender esta execução", expressou.

Seus advogados exigem que as evidências recolhidas na cena do crime sejam submetidas a testes forenses modernos e também questionam a droga que lhe injetariam, pois a mesma demorou 13 minutos para fazer efeito em um prisioneiro em dezembro.

Também solicitaram que as testemunhas da execução fossem autorizadas a usar seus telefones celulares, pedido que foi rejeitado por um tribunal de apelações. Mas os advogados deram entrada em um apelo de última hora no Supremo Tribunal.

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