Trump presta conta a seus aliados na cúpula da Otan

Bruxelas, 25 Mai 2017 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump prestou contas nesta quinta-feira com seus aliados da Otan, aos quais pediu que paguem o que devem, sem reafirmar publicamente o compromisso dos Estados Unidos com a defesa da Europa.

"Vinte e três dos 28 Estados-membros ainda não pagam o que deveriam pagar" e "isso é injusto para o povo e os contribuintes dos Estados Unidos", disse Trump em um discurso, que seu chefe da diplomacia, Rex Tillerson, havia antecipado que seria "muito duro".

A cenografia, as declarações, tudo estava pensado para que o mandatário americano, que no passado classificou a Otan de "obsoleta" e chegou a questionar o apoio a seus aliados em caso de ataque, se não aumentarem seu gasto militar, reafirmou seu compromisso com a defesa mútua transatlântica.

Diante de um memorial sobre o atentado do 11 de setembro de 2001, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, lembrou, logo antes das palavras de Trump, que os Estados Unidos se tornaram após esse ataque o primeiro aliado a invocar o artigo 5 do Tratado de Washington que menciona a mútua defesa.

O presidente americano preferiu, contudo, manter a pressão, pedindo a seus aliados que invistam pelo menos 2% de seu PIB nacional em defesa e marcando suas prioridades para "a Otan do futuro": fazer mais contra o terrorismo, em relação à imigração e diante "das ameaças da Rússia".

Para el investigador de Brooking's Institution, Thomas Wright, "isto constitui um grande impacto para os membros da Otan", pois, em quase 70 anos de história, Trump foi o primeiro inquilino da Casa Branca a se recusar a explicitar esse compromisso, informou no Twitter.

- Mensagens 'claras' -Stoltenberg considerou, ao fim da cúpula, que o líder da primeira potência militar mundial foi "claro em seu compromisso com a Otan", mas também "foi claro na mensagem a todos os aliados" sobre o aumento do gasto militar.

Este é uma tradicional reclamação da administração americana. Em 2014, o então presidente Barack Obama conseguiu que os aliados se comprometessem a aumentar seu gasto militar nacional para 2% do PIB em um prazo de uma década.

Junto com os Estados Unidos, apenas Grécia, Estônia, Reino Unido e Polônia cumprem esse compromisso, mas outros países, como Espanha (a segunda pela fila com 0,9% de gasto em defesa), pedem que outros critérios sejam considerados no cálculo.

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu a que seu país "tem uma participação importante em missões militares" da Otan e da ONU.

Em uma clara aproximação com as posições de Trump, os aliados concordaram na véspera em somar a Otan à coalizão internacional que luta contra os extremistas do grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria, uma decisão sobre a qual países como França e Itália se mostraram reticentes.

Celebrada sob um resplandecente céu azul em um dia quente de primavera, essa cúpula, pensada para inaugurar o novo quartel general da Aliança, será lembrada pelos apertos de mão de Trump e seu leve empurrão em Dusko Markovic, primeiro-ministro de Montenegro que se tornará país aliado no dia 5 de junho.

- 'Atentado selvagem'Sua passagem por Bruxelas, em sua primeira grande viagem internacional, também lhe serviu para conversar com a primeira-ministra britânica, Theresa May, chateada com Washington pelos vazamentos na imprensa americana sobre informações da investigação do atentado em um show de pop em Manchester que matou 22 pessoas.

A chefe de governo britânico disse a Trump que a informação compartilhada entre ambas as nações "deve permanecer confidencial", segundo seu porta-voz.

Trump, que durante seu discurso pediu "um minuto de silêncio" pelas vítimas do "atentado selvagem", pediu ao departamento de Justiça e "a outras agências relevantes" uma "completa investigação sobre esses supostos vazamentos de agências de inteligência americanas.

O presidente dos Estados Unidos, visto como próximo a seu homólogo russo Vladimir Putin, já estava no olho do furacão, depois de ter revelado supostamente informações confidenciais ao ministro russo Serguei Lavrov.

A Rússia foi concretamente um dos pontos de desacordo entre Trump e os líderes das instituições da União Europeia, com quem se reuniu durante a manhã, junto com as questões relativas ao comércio internacional e à mudança climática.

"Não estou 100% certo de que podemos dizer hoje que temos uma posição comum, uma opinião comem sobre a Rússia", reconheceu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ao fim da reunião.

Após sua passagem pela Arábia Saudita, Israel, Vaticano e Bruxelas, a viagem de Trump terminará na sexta-feira e no sábado na cidade italiana de Taormina (sul), onde assistirá à cúpula do G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo.

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