Trump eleva o tom contra a Alemanha e promete mudanças na relação comercial

Washington, 30 Mai 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump usou o Twitter nesta terça-feira para reclamar do déficit comercial dos Estados Unidos com a Alemanha e criticar este país por considerar que deveria pagar mais para financiar a aliança militar na Otan.

"Nós temos um déficit comercial EM MASSA com a Alemanha, que além disso paga BEM MENOS do que deveriam na Otan e (na aliança) militar. Muito ruim para os Estados Unidos. Isto vai mudar", escreveu o presidente em sua conta @realDonaldTrump.

O presidente americano se pronunciou depois que a Alemanha o criticou ao final de sua primeira viagem ao exterior, concluída no domingo, e que o levou à Arábia Saudita, a Israel, à Bélgica e à Itália para a reunião do G7.

No domingo, a chanceler Angela Merkel questionou a confiabilidade da aliança com Estados Unidos e Reino Unido.

"Os laços transatlânticos são de uma importância primordial para nós [...] mas na atual situação há ainda mais razões para [...] tomarmos o destino em nossas mãos", disse Merkel, acrescentando que a Europa "deve ser um ator mais ativo nas questões internacionais".

A Casa Branca tentou colocar panos quentes na situação e declarou nesta terça que o presidente Donald Trump e a chanceler Merkel se entendem "muito bem". "Acho que o presidente descreverá a sua relação com a senhora Merkel como bastante incrível", declarou o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. "Se entendem muito bem, ele a respeita".

"Vê não somente a Alemanha, e também o resto da Europa, como um aliado dos Estados Unidos", afirmou.

Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel, foi muito franco ao falar a respeito do presidente americano, acusando-o de "enfraquecer" o Ocidente e trabalhar contra os interesses da União Europeia.

"Qualquer um que acelere as mudanças climáticas através da redução da proteção ambiental, que vende mais armas em uma zona de conflito e que não quer resolver politicamente os conflitos religiosos, esta pessoa coloca em risco a paz na Europa", declarou o ministro alemão.

- Desavença crescente -As declarações do diplomata foram uma referência clara ao gigantesco contrato de venda de armamentos anunciado na semana passada por Trump durante sua visita à Arábia Saudita, que supera 100 bilhões de dólares.

Durante a viagem, Trump rejeitou a pressão dos aliados do G7 para que apoie o Acordo de Paris sobre o clima e criticou 23 dos 28 membros da Otan, incluindo a Alemanha por "ainda não pagar o que deveria pagar" para financiar a aliança.

Além disso, de acordo com versões da imprensa, durante uma reunião com funcionários europeus de alto escalão em Bruxelas, Trump teria se queixado de que "os alemães são maus, muito maus" do ponto de vista comercial.

Merkel realizou em março uma visita oficial a Washington e manteve uma reunião com Trump na Casa Branca, mas a relação entre os dois líderes nunca deixou de ser fria e distante.

As ligações entre Washington e Berlim poderiam estar se encaminhando para o seu pior nível desde 2005, quando o governo do então chanceler Gerhard Schroeder criticou os Estados Unidos pela invasão ao Iraque.

A chegada de Merkel ao governo da Alemanha e de Barack Obama no dos Estados Unidos permitiu um reajuste das relações entre os dois aliados estratégicos.

Mas esses laços voltaram a sofrer um duro golpe em 2013, quando foi revelado que a Agência americana de Segurança Nacional (NSA) interceptou telefonemas particulares de inúmeros líderes estrangeiros, incluindo Merkel.

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