OEA debate a crise na Venezuela mas precisa superar divisões

Washington, 31 Mai 2017 (AFP) - Os chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) participam nesta quarta-feira em Washington em uma aguardada reunião para discutir a crise na Venezuela, mas precisam superar as divisões internas para poder oferecer um caminho viável ao país da América do Sul.

Esta será a 29ª reunião de consultas da OEA a nível de chanceleres, mas a tensão provocada pela convocação do encontro fica evidente com a constatação de que até a véspera apenas pouco mais da metade dos ministros das Relações Exteriores tenham confirmado sua presença.

Na reta final, as equipes diplomáticas aceleraram as consultas para tentar formular uma proposta que se aproxime a um consenso ou que, ao menos, supere as feridas abertas pelo processo que levou à convocação da reunião.

Foi justamente a decisão do Conselho Permanente da OEA de convocar a reunião de consultas o que motivou a reação da Venezuela de iniciar formalmente a saída da entidade continental, um processo que deve demorar dois anos até a conclusão.

Desde que iniciou o processo, a Venezuela deixou de comparecer às reuniões na sede da OEA e seria uma grande surpresa se um representante de Caracas decidisse comparecer ao encontro de consulta nesta quarta-feira.

Algumas horas antes do encontro existem três propostas de declaração que, com certas diferenças de tom, com pedidos ao governo da Venezuela que desista da iniciativa de convocar uma Assembleia Constituinte e liberte os presos políticos.

Uma proposta é de Antiga e Barbuda, outra foi apresentada por Peru, Canadá, Estados Unidos, México e Panamá, e a terceira pelo bloco de países do Caribe, o CARICOM.

Mas as consultas nos bastidores podem resultar no avanço de uma proposta diplomática: estabelecer um Grupo de Contato, formado por vários países - inclusive de fora do continente - que atue como mediador de um novo esforço de diálogo entre o governo venezuelano e a oposição.

O diálogo não será fácil. Em Bruxelas, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Julio Borges, disse que Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro é um "golpe de Estado".

Inclusive, horas antes da reunião dos chanceleres, haverá um encontro na embaixada do Canadá em Washington para ajustar o discurso e afinar uma posição comum.

Pelas regras deste conclave, as decisões vão requerer "dois terços dos votos dos países representados na reunião".

A pocas horas do início do encontro, 30 delegações haviam confirmado participação. Nas lista estavam ausentes as delegações da Venezuela, Bolívia, Equador e República Dominicana.

Se a participação se limitar a essas 30 delegações, será preciso 20 votos, um número muito difícil de alcanlçar, a menos que se alcance uma proposta negociada.

A ideia de um Grupo de Contato para impulsionar uma nova iniciativa de diálogo político na Venezuela foi mencionada na terça-feira por um funcionário do Departamento de Estado americano, que solicitou anonimato, e pelo chanceler do México, Luis Videgaray.

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