Chefe do Parlamento venezuelano pede em Madri mais pressão contra Maduro

Madri, 1 Jun 2017 (AFP) - O presidente do Parlamento da Venezuela, o opositor Julio Borges, afirmou nesta quinta-feira que somente os protestos nas ruas aliados à pressão internacional poderão "quebrar" o governo de Nicolás Maduro, ao encerrar em Madri uma viagem pela Europa para buscar aliados.

"É importante que a pressão que estamos fazendo dentro da Venezuela se una com uma pressão internacional [...], é o que pode permitir quebrar a consciência de quem tem o poder", assinalou Borges a jornalistas.

"Articular governos" estrangeiros para "aumentar a pressão e conseguir essa agenda democrática é um passo essencial que temos que terminar de consolidar", assinalou Borges, depois de reuniões com a presidente do Congresso dos Deputados, Ana Pastor, e com representantes do governo de Mariano Rajoy.

Com escalas em Roma, Bruxelas e Madri, Borges buscou explicar "a continuação do golpe de Estado que significa a lei Constituinte" convocada pelo presidente.

Maduro anunciou a Assembleia Constituinte como uma saída à grave crise do país, mas a oposição negou participar desse processo, que considera uma estratégia de Maduro para fugir das eleições.

"É um mecanismo ardiloso", insistiu Borges, ao prometer que nas próximas semanas a oposição continuará "a luta nas ruas" e a "busca de apoios internacionais", perseguindo "uma resolução democrática" nas urnas.

A Espanha "continuará sendo a ponta de lança" na União Europeia para adotar medidas que defendem a democracia na Venezuela, prometeu o senador Dionisio García Carnero, depois de um encontro de Borges com parlamentares do Partido Popular, de Mariano Rajoy, crítico do governo de Maduro.

Após dar seu respaldo a Borges, o presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, esboçou na quarta-feira a possibilidade de que o organismo estude sanções como as impostas pelos Estados Unidos contra funcionários de alto escalão do governo venezuelano.

O Ministério espanhol das Relações Exteriores desaconselhou os cidadãos a viajar para a Venezuela, a não ser que seja de "extrema necessidade", diante das turbulências no país, em uma nota publicada na quarta-feira em seu site.

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