Corbyn tenta seduzir Inglaterra média e pró-Brexit

Basildon, Reino Unido, 1 Jun 2017 (AFP) - O trabalhista Jeremy Corbyn assegurou nesta quinta-feira que a saída da União Europeia não tem volta, em uma tentativa de conquistar a Inglaterra média, branca e pró-Brexit.

Corbyn viajou nesta quinta-feira para Basildon, no condado de Essex, para um comício no bairro do centro comunitário de Pitsea.

Basildon é uma cidade de 180.000 habitantes, com uma proporção de cerca de 90% de ingleses e majoritariamente branca.

Acompanhado dos três principais responsáveis do dossiê Brexit no Partido Trabalhista - Keir Starmer, Emily Thornberry e Barry Gardiner -, Corbyn assegurou que "o Reino Unido sairá da União Europeia, isso não está em questão".

Entretanto, disse, seu Brexit não será como os dos conservadores de Theresa May. Ele buscará "um acordo que permita transformar o Reino Unido em um país com os maiores direitos e proteções, que acabe com a exploração e as diminuições no mercado trabalhista".

- Ganha em Basildon, ganha no país -Basildon se revelou como um excelente termômetro político: desde que se tornou uma circunscrição, em 1974, sempre votou a favor do partido que acabou vencendo as eleições.

O mesmo aconteceu com o referendo do Brexit - 68,6% dos eleitores de Basildon optaram por sair da União Europeia.

Nesta cidade, "não há rupturas radicais, não há revoluções, não há conflitos", disse o fotógrafo local CJ Clarke, que documentou a Inglaterra do Brexit.

Theresa May adiantou as eleições com o argumento de se fortalecer visando as negociações com a União Europeia. Gozava então de uma vantagem de 20% em relação a Corbyn nas pesquisas de intenção de voto, mas a margem foi diminuindo até alcançar os 3%.

Mas o Brexit parece já ser algo feito, e os vizinhos de Basildon com os quais a AFP conversou insistiram nos problemas sociais, na falta de moradia, no desemprego e no consumo de drogas.

O jornal local Basildon Echo dedicou a sua capa "aos 20 imigrantes que pularam de um caminhão", possivelmente procedentes da Europa, mas nenhum dos entrevistados mencionou a imigração.

- Brexit? "O que importa é a distribuição da riqueza" -"O mais importante é a distribuição da riqueza, se há distribuição da riqueza, todo mundo fica feliz", disse Dan Kattal, um homem de 50 anos que votou a favor da saída da União Europeia no referendo de 23 de junho de 2016.

Corbyn "é muito honesto. No fim, a honestidade é a melhor política", respondeu.

"Não podemos pensar somente no Brexit, vai acontecer e já está", afirmou Betty Jeffrey, uma mulher de 77 anos, que usa cadeira de rodas e foi assistir o comício de Corbyn - e que está preocupada com os cortes nas ajudas aos deficientes. "As coisas vão de mal a pior", assegurou.

Christopher McDonagh, um desempregado de 22 anos que teve que recorrer aos serviços sociais para encontrar um teto, disse que "Corbyn é um homem eloquente, que tem boas ideias e bons planos".

"Em Basildon precisamos de mais dinheiro para ajudar a construir casas, propriedades, coisas assim", acrescentou McDonagh, que não votou no referendo sobre a UE: "me coloquei de lado, deixei que outros votassem".

"Não confio em Theresa May", assegura Sarah Dowling, uma professora de 50 anos que votará pelo trabalhista, "como meus pais e meus avós".

"Deixamos para trás a coisa do Ukip, graças a Deus", acrescenta - a câmara de vereadores chegou a estar nas mãos do partido antieuropeu - e agora espera "que recuperemos o deputado trabalhista".

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