Quem está por trás do atentado de Cabul, que não foi reivindicado?

Cabul, 1 Jun 2017 (AFP) - O atentado com um caminhão-bomba que sacudiu Cabul na quarta-feira, deixando pelo menos 90 mortos e centenas de feridos, não foi reivindicado até o momento. Vários grupos rebeldes podem ter sido os autores.

O desta quarta aumentou a lista de ataques que se multiplicaram nos últimos meses em Cabul, tornando a capital afegã um dos locais mais perigosos do país para os civis.

Veja a seguir alguns dos possíveis responsáveis pelo atentado.

- Os talibãs afegãosOs talibãs negaram qualquer envolvimento, mas os analistas se mantêm prudentes diante destas alegações.

Os talibãs, cuja tradicional "ofensiva da primavera" contra o Estado afegão e as forças estrangeiras começou em abril, é o grupo extremista mais poderoso do país.

Expulsos do poder por uma coalizão comandada pelos Estados Unidos em 2001, ganharam terreno desde que as tropas de combate da Otan saíram em 2014.

O grupo, que espera reconquistar o poder, parece querer cuidar de sua imagem e não costuma assumir a autoria de atentados que deixem muitos civis mortos.

"Não excluam uma pista talibã. [O movimento] se projeta como mais moderado do que o Estado Islâmico e não vai se precipitar ao assumir a responsabilidade de um ataque contra civis", considerou o especialista regional Michael Kugelman no Twitter.

- Estado IslâmicoO grupo Estado Islâmico (EI) não costuma hesitar ao reivindicar sangrentos atentados, incluindo contra vítimas civis, enquanto se esforçam em estender o seu "califado" no Oriente Médio.

Já executou vários ataques em Cabul, alguns deles quase tão mortais quanto o de quarta-feira. Em julho, mais de 80 pessoas perderam a vida em um duplo ataque com bomba.

Em março, reivindicou um atentado contra um hospital militar em Cabul, deixando 60 mortos, segundo um balanço oficial contestado. Entretanto, alguns analistas consideram que certos sinais levam a crer que se trata de um ataque talibã.

Composto principalmente por ex-talibãs e antigos combatentes da Al-Qaeda, a influência do EI no Afeganistão, rebatizado pela organização como "Khorasan", tem crescido.

O exército americano lançou em abril a mais potente de suas bombas não nucleares contra una rede de túneis utilizados pelo grupo na província oriental de Nangarhar, matando dezenas de combatentes.

Mas se os partidários do EI comemoraram o atentado de quarta-feira nas redes sociais, o grupo por enquanto se absteve de assumir a sua autoria.

- A rede HaqqaniO serviço de informações afegão apontou para a rede extremista Haqqani, aliada dos talibãs e que mantém há algum tempo vínculos com responsáveis militares paquistaneses de alto escalão.

Comandada por Sirajuddin Haqqani, que também é o chefe adjunto dos talibãs, esta rede é a autora de vários ataques em Cabul, como o da embaixada indiana em 2008, onde morreram cerca de 60 pessoas.

O Paquistão iniciou em 2014 uma operação militar com o objetivo de destruir os acampamentos dos rebeldes ao longo da fronteira com o Afeganistão, o que levou os combatentes, entre eles os Haqqanis, a se refugiar no lado afegão.

- Al-Qaeda e outros gruposA organização que está por trás do ataque de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos é considerada muitas vezes como se estivesse acabada depois da morte de seu líder, Osama Bin Laden, morto em um ataque americano em 2011 no Paquistão.

Mas para o especialista Bill Roggio, do Long War Journal, considerar isso é ir rápido demais, especialmente na raiz dos vínculos de seus membros com os talibãs.

O grupo não executa nenhum atentado de envergadura há vários anos e o seu envolvimento no ataque de quarta-feira é julgado como pouco provável.

Outros grupos paquistaneses estão presentes no território afegão, entre eles os talibãs paquistaneses e os grupos Lashkar-e-Taiba e Harkat-ul-Mujahideen. Mas acredita-se que nenhum deles seja capaz de ter executado o atentado de Cabul.

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