TOPSHOTS Cabul em choque após pior atentado em mais de uma década

Cabul, 1 Jun 2017 (AFP) - Cabul permanecia nesta quinta-feira em estado de choque depois de sofrer o seu pior atentado desde 2001, que deixou 90 mortos e centenas de feridos, e desatou a ira dos afegãos diante da incapacidade do governo de protegê-los.

Os habitantes começaram a enterrar os seus mortos, enquanto as autoridades limpavam os escombros no local do atentado de quarta-feira, provocado pela detonação de um caminhão-pipa cheio de explosivos e que deixou uma enorme cratera.

A maior parte das vítimas do ataque, que ainda não foi reivindicado, é de civis, e muitos cidadãos questionam o motivo pelo qual o governo foi incapaz de evitar uma explosão de tamanha magnitude em pleno centro de Cabul.

"Por quanto tempo teremos que tolerar este banho de sangue em nosso país?", disse um morador, soluçando, à emissora local Tolo News. "Perdi meu irmão na explosão e o governo fracassa constantemente em nos proteger", acrescentou.

O ataque aconteceu durante o Ramadã e demonstra a capacidade dos rebeldes de atentar em um dos distritos considerados mais seguros de Cabul, onde fica o palácio presidencial e várias embaixadas estrangeiras, entre elas a da Alemanha.

Uma primeira consequência política foi a decisão da Alemanha, anunciada pela chanceler Angela Merkel, de suspender as expulsões dos migrantes do Afeganistão.

O Ministério das Relações Exteriores reexaminará a situação da segurança do país em julho e até então a Alemanha só realizará "repatriações voluntárias e deportações de extremistas violentos e criminosos em casos analisados de forma individual", assinalou a chanceler à imprensa.

No local do ataque, a enorme cratera causada pela explosão continuava totalmente visível nesta quinta-feira.

Muitos moradores enterravam os seus parentes, enquanto outros se aglomeravam nos hospitais à espera de notícias de seus familiares ou perguntando o porquê eles ainda não foram localizados.

Os serviços de saúde advertiram que alguns dos mortos não poderão ser identificados porque os seus corpos ficaram totalmente destruídos ou queimados pela explosão.

Trata-se do atentado mais grave em Cabul desde que os talibãs foram expulsos do poder em 2001 depois da invasão do país liderada pelos Estados Unidos.

O presidente americano, Donald Trump, falou por telefone com seu contraparte afegão, Ashraf Ghani, para denunciar "a natureza bárbara dos terroristas, inimigos das populações civilizadas".

- Cabul: uma cidade mortal para os civis -Os serviços de Inteligência afegãos acusam a chamada Red Haqqani, um grupo aliado dos talibãs, de ser o responsável pelo ataque.

Os talibãs asseguram que não estão envolvidos, embora o grupo rebelde não costume reivindicar seus atentados que deixam muitos civis mortos.

O grupo Estado Islâmico (EI), que também está presente no Afeganistão e não tem impeditivos de reivindicar os seus ataques, ainda não se pronunciou.

A explosão, que segundo os que estavam no local foi como um terremoto, danificou várias embaixadas neste distrito, onde também há edifícios do governo e que, em teoria, está protegido por inúmeros postos de controle vigiados por homens armados.

Pelo menos 11 guardas afegãos que trabalhavam para a embaixada dos Estados Unidos morreram, assim como 11 americanos, indicaram os responsáveis do país.

A Alemanha anunciou a morte de um segurança afegão de sua embaixada e vários países indicaram que seus edifícios sofreram danos.

Cabul, onde os atentados são frequentes, foi um dos lugares mais mortais do Afeganistão para os civis no primeiro trimestre de 2017, segundo dados da ONU.

O exército afegão, apoiado pelos Estados Unidos e pela Otan, não conseguiu derrotar os rebeldes e a Casa Branca está estudando enviar ao país milhares de soldados para tentar vencer definitivamente a insurgência dos talibãs.

Atualmente há 8.400 militares americanos no Afeganistão - contra 100.000 em 2011 - e outros 5.000 dos países da Otan, principalmente com a tarefa de treinamento e assessoria.

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