Equador detém mais cinco por corrupção da Odebrecht

Quito, 2 Jun 2017 (AFP) - O Equador deteve nesta sexta-feira mais cinco pessoas no âmbito das investigações sobre o esquema de propinas da Odebrecht, em que alguns envolvidos têm direito a foro privilegiado, e apreendeu um cheque no valor de 980 mil dólares da empreiteira.

"Alguns dos envolvidos gozam de foro da Corte Nacional de Justiça", informou à imprensa o procurador-geral Carlos Baca.

Essa condição impede prender os envolvidos no esquema de propinas milionárias que a empreiteira pagava a funcionários equatorianos, devido ao qual já foram presos um ex-ministro de Rafael Correa e um empresário.

Um dos detidos, de acordo com a imprensa, é tio do reeleito vice-presidente Jorge Glas. "Lamentavelmente, segundo a informação que tenho, há um familiar meu que está sujeito às investigações (...) Que se investigue tudo e que se aplique a justiça como tem que ser".

Entre los indagados também está o controlador-geral do Estado, Carlos Pólit. Seu advogado, Hernán Ulloa, informou que a autoridade de controle, que está fora do país, enfrenta um processo na Justiça.

Após as detenções, sem que as autoridades tenham fornecido identificações, o presidente Lenin Moreno e o vice reeleito Jorge Glas - ambos do partido de Correa - expressaram que a Justiça deve sancionar todos os que cometeram um crime, independentemente de quem seja.

"Estamos prestando todo o nosso apoio à Função Judicial na luta contra a corrupção. Não vamos permitir que nenhum ato de corrupção fique impune, venha de onde vier. Todos os envolvidos no caso Odebrecht devem responder à Justiça", escreveu o chefe de Estado no Twitter.

Em seguida, Moreno declarou a jornalistas: "as investigações continuam. Existem muito mais pessoas envolvidas neste processo".

Cheque da OdebrechtA Procuradoria, em conjunto com a Polícia, fizeram várias apreensões em residências e empresas de Quito, no porto de Guayaquil (sudoeste) e em Latacunga (sul), e capturaram cinco pessoas, informou a procuradora Thania Moreno, sem identificar os detidos.

A funcionária disse que nas apreensões foram encontrados documentos relacionados com a Odebrecht, como um cheque no valor de 980 mil dólares da empresa, cofres, joias, carros de luxo, dinheiro, armas sem porte e computadores.

A procuradoria destacou que "a evidência para tomar estas ações confirma que os detidos e as empresas alvos das apreensões faziam parte de um esquema de crime organizado que envolveu a empresa Odebrecht".

"Vamos atrás de todos os que cometeram atos de corrupção e iremos a todos os lugares que for necessário para chegar e perseguir estes atos de corrupção, e levar os responsáveis destes atos à Justiça", manifestou Baca.

Brasil, chave para a investigaçãoO procurador voltou na sexta-feira do Brasil, aonde foi coletar informações sobre o caso, no qual estariam sendo investigados importantes funcionários do Equador.

Baca informou que na próxima semana voltará ao Brasil com especialistas para "continuar a recepção de versões e coleta de evidências", ainda mais quando estão envolvidas pessoas que desfrutam de foro privilegiado.

Em abril, a Justiça equatoriana expediu prisão preventiva por 90 dias para Alecksey Mosquera, ex-ministro da Eletricidade, que teria recebido 920.000 dólares em propinas da Odebrecht.

Desde então, o empresário Marcelo Endara está em prisão domiciliar por ter 70 anos por envolvimento com Mosquera no esquema.

Por ordem judicial também estão bloqueados pagamentos da ordem de 40 milhões de dólares à Odebrecht para garantir uma indenização ao Estado e existe a proibição temporária ao Estado de fazer mais contratos com a empresa.

Além disso, a empreiteira ficou de fora do consórcio para a construção do metrô de Quito.

A Odebrecht e a espanhola Acciona tinham adquirido em 2015 a construção da primeira linha de metrô na capital equatoriana por 1,538 bilhão de dólares.

A Justiça equatoriana abriu inquérito após a revelação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em dezembro passado, de que a Odebrecht pagou entre 2007 e 2016 33,5 milhões de dólares a funcionários públicos equatorianos.

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