Israelenses e palestinos contam a Guerra dos Seis Dias

Jerusalém, 2 Jun 2017 (AFP) - Em Jerusalém, Gaza ou Golã, seja do lado israelense ou palestino, eles viveram a Guerra dos Seis Dias, como soldados ou como civis, e contam à AFP suas experiências.

Yaaqub Sanduqa, 19 anos em 1967Palestino de Jerusalém:

"Quando a guerra foi declarada, estava com meu pai e meus três irmãos em nossa cafeteria na cidade antiga. O 'souk' (mercado) fechou e nós também. Nos refugiamos na casa de familiares. Em 6 de junho, quatro soldados jordanianos disparavam contra aviões israelenses do telhado. Os israelenses entraram no pátio e abriram fogo contra dois de meus irmãos e meu tio. Nos disseram em um árabe ruim 'Saiam daqui com as mãos para o alto! Saímos sem olhar os corpos de meu irmão e meu tio. A sombra da morte nos rodeava. Outro irmão, que estava ferido, conseguiu sair dali antes de cair no chão. Meu pai, meu último irmão e eu tentamos salvá-lo, mas estava morto e eu só pensava em escapar. Corri até chegar a casa de meu tio. Entramos em um caminhão e fomos até a ponte Allenby" em direção à Jordânia.

Ada Yeivin, 36 anos em 1967A israelense encontrou refúgio com seus três filhos de 10, 9 e 3 anos no apartamento de uma amiga, próximo da linha de frente em Jerusalém. Sua amiga fez uma barricada com sacos de areia para proteger o apartamento, onde estavam 12 pessoas.

"Todos nós dormíamos no chão. As crianças conseguiam dormir, mas eu passei várias noites sem dormir. Antes e durante a tomada de Jerusalém Oriental, aumentaram os disparos de morteiro. Rahel (uma amiga), que estava sentada no peitoril da janela, foi arremessada pelo apartamento pela onda expansiva de uma explosão. Pensamos que estava ferida, mas só teve contusões, os sacos amorteceram os disparos. Uma vez, à meia-noite, os disparos eram tão intensos que parecia um pesadelo. Acordamos as crianças, os colocamos no canto mais seguro e deitamos sobre eles durante uma hora. Tínhamos certeza de que eles levariam um tiro".

Nafez al-Atti, 21 anos em 1967Membro do Exército de Libertação da Palestina em Gaza:

"Para mim esta foi a Guerra dos Três Dias. O Exército de Libertação da Palestina era composto por 5.000 homens. Cada família de Gaza tinha que enviar um. Quando começou a guerra, pensamos que estávamos preparados para, pelo menos, resistir. resistir. Tínhamos um sonho, queríamos um país. No primeiro dia, estava em uma base na fronteira próximo de Khan Yunis. Às 10 horas da manhã ouvimos explosões. Uma hora depois, um oficial nos disse: 'o país está perdido. Eles têm tanques, os que quiserem desertar podem fazê-lo'. Éramos cinco na base, desertaram três. Ficaram dois soldados com dois Kalashnikov e um canhão velho. No terceiro dia voltei para a cidade. Tudo estava destruído e as pessoas fugiram. Entendi que havíamos perdido".

Ehud Gross, 21 anos em 1967Estudante israelense e oficial da reserva nos tanques, mobilizado no Sinai antes de ser enviado às Colinas de Golã:

"Outros tomaram Jerusalém, o Sinai. Nós estávamos nervosos porque as Colinas de Golã não tinham importância. A moral estava no chão. Não entendíamos muito de política. Logo chegou a ordem: 'Vamos subir' (às Colinas de Golã). Saímos dali com nervos de aço. O sentimento de alegria e de facilidade desapareceu rapidamente quando a artilharia síria disparou. Começamos o dia com 25 tanques e acabamos com três".

Abu Jamal, 32 anos em 1967Habitante de Ramallah:

"Estávamos aqui, em Ramallah, os soldados israelenses chegaram e todos fomos afetados. Abandonamos nossas casas e nossos povoados. A metade das pessoas foi para Jordânia pensando nos massacres cometidos (anos atrás) pelos judeus contra o povo palestino", diz, em alusão ao período 1947-1948, anterior à criação de Israel e marcado por atos violentos dos judeus e dos árabes. Após a guerra, "a vida mudou porque os judeus fizeram com que as pessoas trabalhassem para eles. O objetivo era fazer com que esquecessem sua terra".

Shabtai Bril, 30 anos em 1967Oficial da inteligência militar israelense:

"Israel estava sozinha, como em 1948, contra sete países árabes. Quem não conhecesse nossas forças teria medo. Quem, como eu, estava no exército não estava preocupado. A surpresa foi que aconteceu tão rapidamente, mas estávamos certos de que iríamos ganhar. Fomos os primeiros a saber que nossos aviões tinham destruído a aviação egípcia, síria e jordaniana em três horas. Pulamos de alegria e brindamos, foi uma alegria militar. Mas, dias depois, quando ouvimos que (os soldados israelenses) teríamos chegado a Kotel (o Muro das Lamentações em Jerusalém Oriental), foi uma alegria nacional".

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