Senador dos EUA é acusado de querer apagar informe sobre tortura da CIA

Washington, 3 Jun 2017 (AFP) - Senadores democratas acusaram, nesta sexta-feira (2), um importante colega republicano de tentar apagar a história do programa de tortura da CIA nos anos 2000, e exigem que lhes sejam entregues as cópias de um relatório altamente sigiloso, em poder do presidente da Comissão de Inteligência dessa Casa, senador Richard Burr.

Os membros da oposição garantem que, esta semana, Burr pediu às agências do governo, em segredo, que lhe devolvessem suas cópias do "Informe Completo do Programa de Detenção e Interrogatório da CIA", elaborado pelo comitê em 2014.

Pelo menos oito exemplares chegaram a ser distribuídos para a Casa Branca e para várias agências. Nesta sexta-feira, Burr disse que queria esses documentos de volta para garantir que essa informação confidencial continuasse secreta.

"Como faz o comitê com toda a informação 'classificada' e compartilhada, adotarei as medidas necessárias para proteger as fontes e métodos sensíveis contidos no informe", justificou Burr, em um comunicado divulgado nesta sexta.

Os democratas acreditam, porém, que ele tem um plano para destruir todas as cópias do informe e se assegurar de que a verdade das atividades de tortura da Agência Central de Inteligência (CIA) depois dos ataques do 11 de Setembro nunca venha à luz.

"Nenhum senador - seja, ou não presidente (da Comissão) - tem autoridade para apagar a história. Acho que essa é a intenção do presidente neste caso", disse a senadora democrata Diane Feinstein, originalmente encarregada do informe em 2009, quando presidia o comitê.

Outro democrata do comitê, o senador Ron Wyden, comentou que o esforço de Burr "poderia servir apenas a um propósito: abrir o caminho para o tipo de mentira usada para justificar um programa de tortura ilegal e perigoso".

O informe de 6.700 páginas documenta em detalhe detenções e interrogatórios extrajudiciais de suspeitos da rede Al-Qaeda, como o conspirador do 11 de Setembro Abu Zubaydah, recorrendo a técnicas brutais e agora proibidas. Entre elas, afogamento por imersão e privação de sono para dobrar os detentos.

Um resumo executivo de 528 páginas do informe foi divulgado em dezembro de 2014 e apoiou os argumentos contra o uso da tortura. Já a versão completa tem detalhes de interrogatórios específicos e informação secreta sobre participantes e lugares.

Quando o documento foi concluído, os democratas tentaram garantir que fosse distribuído para agências-chave do governo.

Burr tenta recuperar essa documentação desde que assumiu o comitê em 2015 e, recentemente, pediu aos receptores originais que devolvessem seus exemplares.

Até agora, três cópias foram devolvidas: uma da CIA; outra, do gabinete do inspetor-geral da CIA; e uma terceira, do Diretor de Inteligência Nacional, disseram fontes do Congresso à AFP.

Não se sabe o status de outros exemplares que foram distribuídos para os Departamento da Defesa, da Justiça e de Estado, assim como para o FBI.

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