Áreas protegidas nos oceanos: armas contra mudanças climáticas (estudo)

Miami, 5 Jun 2017 (AFP) - Ter mais áreas do oceano protegidas contra a pesca, mineração e turismo pode ser uma ferramenta importante na luta contra as mudanças climáticas, disseram pesquisadores internacionais nesta segunda-feira.

Tais áreas podem proteger as costas que são vulneráveis ao aumento do nível do mar e às tempestades, e ajudar a restaurar as espécies marinhas que estão lutando devido ao aquecimento e às águas poluídas, segundo um artigo publicado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

O artigo, baseado em estudos revisados por pares sobre o impacto das reservas marinhas em todo o mundo, foi divulgado no dia da abertura da primeira conferência global das Nações Unidas sobre a proteção dos oceanos, que acontece em Nova York.

"Muitos estudos mostram que as reservas marinhas bem administradas podem proteger a vida selvagem e apoiar pescarias produtivas, mas queríamos explorar este conjunto de pesquisas através da lente das mudanças climáticas para ver se esses benefícios poderiam ajudar a melhorar ou diminuir a velocidade de seus impactos", disse o autor principal, Callum Roberts, professor da Universidade de York.

"Logo ficou claro que elas podem oferecer aos ecossistemas oceânicos e às pessoas benefícios fundamentais de resiliência para as mudanças climáticas rápidas", acrescentou.

As reservas marinhas podem diminuir o impacto da acidificação dos oceanos - que mata os recifes de corais - e fornecer refúgio para as espécies que estão em declínio, concluiu o estudo.

Elas também podem "promover a captação e o armazenamento a longo prazo de carbono das emissões de gases de efeito estufa, especialmente nas zonas úmidas costeiras, o que ajuda a reduzir a velocidade das mudanças climáticas", afirmou o estudo.

Apenas 3,5% dos oceanos do mundo são reservados para proteção, e apenas 1,6% estão totalmente protegidos contra a pesca e outras explorações.

Estão em curso esforços internacionais para aumentar esse total para 10% até 2020.

Em uma reunião da União Internacional para a Conservação da Natureza no ano passado, os delegados concordaram que pelo menos 30% dos oceanos deveriam estar protegidos até 2030.

Estudos mostram que a maioria dos benefícios vem de reservas grandes e bem administradas que estão protegidas contra a pesca e a extração mineral e de petróleo.

"Nós éramos plenamente conscientes de que as reservas marinhas podem aumentar a abundância de espécies e ajudar a aliviar a escassez de alimentos", disse Beth O'Leary, coautora e pesquisadora da Universidade de York.

"Mas nossa avaliação mostrou que as reservas são uma estratégia viável de adaptação, econômica e de baixa tecnologia, que geraria múltiplos cobenefícios em escalas locais a globais, melhorando as perspectivas para o meio ambiente e as pessoas no futuro", completou.

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