Jeremy Corbyn, o velho trabalhista paciente

Londres, 5 Jun 2017 (AFP) - Aos 68 anos, o líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn está a um passo de Downing Street, após defender durante toda a sua carreira bandeiras da esquerda - estado de bem-estar social, pacifismo, sindicatos - que pareciam obsoletas após Tony Blair.

Uma sociedade "para muitos, não para poucos" é o lema da campanha do Partido Trabalhista sob o comando de Corbyn, que, inesperadamente, parece capaz de vencer a conservadora Theresa May, segundo apontam as pesquisas mais recentes.

Dois anos se passaram desde que foi escolhido à frente do partido, prometendo criar "uma sociedade em que as pessoas marginalizadas não são ignoradas", sem medo de falar em um aumento dos impostos ou na contratação de mais funcionários públicos.

Contra a austeridade orçamentária, liderou a oposição à guerra do Iraque e defende a renacionalização das ferrovias, símbolo das privatizações da era de Margaret Thatcher.

Linguagem e propostas que seduziram os jovens militantes, mas que fazem tremer os deputados, convencidos, desde Blair, de que não há nenhuma maneira de vencer uma eleição sem as classes médias e um certo liberalismo.

Corbyn usa barba bem aparada, fala com voz suave e tem um discurso pausado. Veste-se bem, mas não se dá ao luxo dos magníficos alfaiates de Savile Row.

É deputado pelo bairro londrino de Islington, no norte da cidade, desde 1983.

'Não é um líder'Corbyn nunca ostentou qualquer cargo importante nos governos trabalhistas e trabalhou para os sindicatos antes de ser eleito para o Parlamento.

Não frequentou a universidade e preferiu ir para a Jamaica para trabalhar em uma organização de caridade.

O ex-primeiro-ministro conservador John Major, que também não tinha um diploma universitário, costumava brincar com ele porque o trabalhista tinha melhores notas no ensino médio.

Major "me dizia que eu era mais qualificado do que ele", explicou ao The Guardian, antes de justificar por que não foi à faculdade: "Eu gostava de ler, estudar no meu próprio ritmo".

Corbyn nasceu em Chippenham, no sul da Inglaterra, em 26 de maio de 1949, e tem três filhos, todos homens.

Começou sua militância política no movimento sindical e em 1983 entrou no Parlamento ocupando o assento de Islington Norte, que defendeu com sucesso em oito eleições gerais.

Como bom britânico de esquerda, inserido numa tradição que remonta a George Orwell, está conectado com a guerra civil espanhola: seus pais eram ativistas que se conheceram durante o conflito.

Corbyn foi casado três vezes. Sua primeira esposa foi Jane Chapman. Sua segunda, a mãe de seus três filhos, é uma chilena chamada Claudia Bracchitta, de quem se divorciou porque ele queria que as crianças frequentassem uma escola normal do bairro, enquanto ela queria uma mais seleta.

Sua terceira e atual esposa é a mexicana Laura Álvarez, que se dedicada à importação do café sob as diretrizes do comércio justo.

"Está em paz consigo mesmo. Não se importa com o que os outros dizem, não se desvia do seu caminho", declarou sobre ele sua amiga Emily Thornberry, deputada trabalhista.

Embora pareça que o partido esteja finalmente em paz com a sua liderança, ou em trégua eleitoral, Corbyn enfrentou várias tentativas de seus deputados para tirá-lo do jogo.

"Corbyn é um homem bom e decente, o problema é que ele não é um líder", sentenciou seu ex-porta-voz para Assuntos Internos, Hilary Benn.

A crítica é particularmente dolorosa vinda do filho de Tony Benn, que foi o mentor e inspiração do jovem Corbyn quando entrou no partido.

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