Trump usa ataque em Londres para promover repressão nos EUA

Washington, 6 Jun 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump aproveitou os ataques terroristas em Londres para defender nesta segunda-feira sua decisão de proibir a entrada de estrangeiros procedentes de alguns países muçulmanos, provocando um atrito diplomático com a Grã-Bretanha e ameaçando a defesa legal do decreto.

Com base nos sangrentos ataques do sábado na capital britânica, Trump renovou seus apelos contra a entrada de certos estrangeiros nos Estados Unidos, e criticou o prefeito de Londres, o muçulmano Sadiq Khan, a imprensa, democratas e juízes que o acusam de promover a política do medo.

Trump fez do combate aos extremistas a pedra fundamental de sua imagem política, usando deliberadamente uma retórica inflamada e atacando a "correção política" dos que defendem uma atitude equilibrada.

A "relação especial" com a Grã-Bretanha se tornou nesta segunda-feira a última vítima desta estratégia radical, com Trump acusando abertamente Sadiq Khan de minimizar a ameaça terrorista.

Khan disse à população de Londres para não se alarmar diante da maior presença da polícia após o ataque, o que foi interpretado por Trump como uma "desculpa patética" para minimizar a ação terrorista.

"Já não podemos ser politicamente corretos e garantir a segurança da nossa gente. Se não formos inteligentes isso só vai piorar".

A primeira-ministra britânica, Theresa May, sob crescente pressão para criticar Trump antes das eleições de quinta-feira, saiu em defesa de Khan.

"Acredito que Sadiq Khan está fazendo um bom trabalho e é errado dizer o contrário. Está fazendo um bom trabalho", afirmou May.

A premier enfrenta pressões para retirar o convite a Trump para visitar a Grã-Bretanha, após decidir retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima.

Khan, o primeiro prefeito muçulmano de Londres, disse à Sky News que tem "coisas melhores e mais importantes para fazer" do que responder aos tuítes de Trump.

"Algumas pessoas amam a disputa e a divisão, mas não vamos permitir que Donald Trump divida nossas comunidades", declarou Sadiq Khan.

Nos Estados Unidos, muitos diplomatas veteranos e altos funcionários criticaram as declarações de Trump.

"A meus amigos do Reino Unido: peço desculpas por isto", declarou Ben Rhodes, assessor de Segurança Nacional do então presidente Barack Obama.

O prefeito de Nova York, Bill De Blasio, declarou que Khan está "fazendo um extraordinário trabalho para apoiar os londrinos neste momento", e que o "ataque do presidente Trump é inaceitável".

A Casa Branca tentou reduzir os danos.

"Não acredito que o presidente busque um confronto com o prefeito de Londres", disse a porta-voz da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders, acusando a imprensa de "sensacionalismo".

- Suprema Corte -Trump também emitiu duros tuítes defendendo a proibição da entrada nos EUA de estrangeiros procedentes de vários países muçulmanos, uma medida atualmente bloqueada em tribunais federais.

A Casa Branca luta para evitar que a medida seja bloqueada na justiça de forma permanente, insistindo que não se trata de uma "proibição" e que não se dirige aos muçulmanos.

"Gente, os advogados e os tribunais podem chamá-la como quiserem, mas eu a chamo do que é preciso fazer, uma proibição de viagem", tuitou Trump, afirmando que "Os tribunais são lentos e politizados".

O marido de uma das principais assessoras de Trump, Kellyanne Conway, foi um dos que alertaram sobre o risco deste tipo de declaração do presidente em relação à Suprema Corte.

"Estes tuítes podem alentar algumas pessoas, mas certamente não ajudarão" a colher votos na Suprema Corte, avaliou George Conway.

Trump pediu nesta segunda-feira que o Supremo analise o mais rápido possível o decreto que proíbe a entrada de certos estrangeiros nos EUA, barrado em tribunais inferiores.

Trump decretou inicialmente, em janeiro, a proibição da entrada nos Estados Unidos de estrangeiros procedentes de sete países, por 90 dias, e suspensão do programa para refugiados, por 120 dias, o que foi rapidamente barrado por vários tribunais.

Em seguida emitiu uma segunda versão, que também foi bloqueada.

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