Aliança árabe-curda inicia batalha final em Raqa, reduto do EI na Síria

Hazima, Syria, 6 Jun 2017 (AFP) - As Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança árabe-curda apoiada pela coalizão liderada pelos Estados Unidos, entraram nesta terça-feira (6) em Raqa, marcando o início do ataque final a esse reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria.

No início da manhã, as FDS anunciaram a última etapa desta ofensiva lançada há sete meses, a qual permitiu recuperar progressivamente vastas regiões ao redor da cidade e, assim, cercar os extremistas.

"Declaramos hoje o início da grande batalha para libertar Raqa, a capital do terrorismo", declarou o porta-voz das FDS, Talal Sello, a jornalistas no vilarejo de Hazima, ao norte de Raqa, nas mãos do EI desde 2014.

Logo depois, a comandante das FDS Rojda Felat anunciou a entrada das tropas "no bairro de Meshleb, zona leste da cidade", acrescentando que combates violentos eram travados nos arredores da zona norte da cidade.

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) confirmou a entrada das FDS na região, onde assumiram o controle de vários edifícios.

"Tomaram o posto de controle em Meshleb e vários prédios", disse o porta-voz do OSDH, Rami Abdel Rahman.

A aliança das FDS ataca Raqa pelo norte, pelo oeste e pelo leste, segundo Sello.

"Com os aviões da coalizão internacional e as armas que nos forneceram, vamos retomar Raqa", garantiu.

A coalizão internacional também atacou as forças pró-governo perto de Al-Tanaf (sudeste), não muito longe das fronteiras iraquiana e jordaniana.

Segundo a coalizão liderada por Washington, o grupo "de mais de 60 soldados" com "um carro e artilharia" representava "uma ameaça" para as forças da coalizão presentes nesse setor. As forças pró-Damasco já haviam sido bombardeadas nessa área em 18 de maio passado.

- 'Longa e difícil'Em um comunicado, o comandante das forças da coalizão internacional, o general americano Steve Townsend, advertiu, porém, que a batalha será "longa e difícil".

"Mas será um golpe decisivo" para o "califado do EI", afirmou, em referência ao "califado" autoproclamado pelo EI em 2014 nos territórios conquistados na Síria e no Iraque.

O general Townsend acrescentou que a ofensiva em Raqa se inscreve em uma batalha mais ampla contra o EI, o qual reivindicou uma série de ataques na região e também na Europa.

"O EI ameaça todas as nações, não apenas o Iraque e a Síria", ressaltou.

No Iraque, os extremistas estão perto de perder Mossul, seu último grande reduto urbano no país.

Em preparação para a ofensiva final em Raqa, "a coalizão realizou ataques aéreos durante a noite", de acordo com OSDH.

O porta-voz das FDS pediu aos civis na cidade para se afastarem das posições do EI e das frentes de combate.

A coalizão liderada por Washington fornece apoio aéreo e ajuda em terra com assessores à aliança árabe-curda.

Enquanto Raqa é cercada em terra pelo norte, leste e oeste, os "aviões da coalizão atacam os jihadistas que tentam cruzar o rio", partindo do sul da cidade, indicou o OSDH.

Cerca de 300.000 pessoas vivem em Raqa, incluindo 80.000 deslocados internos que fugiram de outras partes da Síria desde o início da guerra.

As forças antiextremistas acusam o EI de usar os civis como "escudos humanos" e de se esconder entre a população. Os riscos também são grandes para os civis que tentam fugir.

- Riscos para os civisDe acordo com o OSDH, um ataque aéreo da coalizão internacional deixou 21 mortos entre os civis que tentavam fugir nesta segunda-feira da cidade.

"Os civis embarcavam em pequenos barcos na margem norte do rio Eufrates para escapar dos subúrbios da zona sul de Raqa", explicou Rami Abdel Rahmane, relatando que mulheres e crianças estão entre as vítimas.

Aviões russos também lançaram ataques contra comboios do EI que tentavam deixar Raqa.

Quase 200.000 pessoas deixaram a cidade, de acordo com um porta-voz da coalizão internacional.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras também indicou que a fuga de civis sírios de Raqa estava em ritmo acelerado. Cerca de "800 pessoas chegam diariamente ao campo" de deslocados de Ain Issa, 30 quilômetros ao norte de Raqa, e a situação é difícil, devido à falta de meios humanitários.

Iniciada em março de 2011 pela repressão do regime às manifestações pacíficas pró-democracia, a guerra na Síria já deixou mais de 320.000 mortos e obrigou mais da metade dos quase de 22 milhões de habitantes a deixar suas casas.

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