Chanceler venezuelana diz que opositor Leopoldo López dialoga com governo

Caracas, 6 Jun 2017 (AFP) - A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, assegurou nesta terça-feira que o governo empreendeu um "diálogo" com o opositor Leopoldo López, que está preso, desmentindo sua esposa, Lilian Tintori, que negou que houvesse negociações.

"Iniciamos um diálogo com o senhor Leopoldo López. Ontem um representante desse partido (Vontade Popular) e sua esposa pretenderam desmentir e negar", afirmou Rodríguez durante um ato com as Forças Armadas.

"Estamos esperando que voltem a dizer que é mentira, o país inteiro ficará sabendo sobre isso através da rede nacional (transmissão obrigatória de rádio e televisão)", acrescentou.

Tintori informou no domingo passado que o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, a chanceler e o dirigente chavista Jorge Rodríguez visitaram López na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas.

Acrescentou que na reunião seu esposo rejeitou a possibilidade de ficar sob prisão domiciliar.

Além disso, afirmou que López, que cumpre desde fevereiro de 2014 uma pena de quase 14 anos de prisão, lhe esclareceu que "não há nenhum tipo de negociação" com o governo.

Rodríguez Zapatero promove um diálogo entre o governo e a oposição para resolver a crise política, que se intensificou com os protestos que surgiram em 1 de abril para exigir a saída do presidente Nicolás Maduro, e que já deixaram 65 mortos.

No final de 2016, negociações entre o governo e oposição fracassaram devido a acusações mútuas de incumprimento do pactado.

As conversas eram impulsadas pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) - em cujo nome atuava Rodríguez Zapatero - e o Vaticano.

Em um vídeo gravado clandestinamente em sua cela e divulgado em redes sociais no domingo, López pediu a manutenção das manifestações contra Maduro.

Embora o vídeo apareça datado em junho, Jorge Rodríguez assegurou que foi gravado há três semanas.

O dirigente chavista afirmou, ainda, que López queria aceitar a prisão domiciliar, mas Tintori e Freddy Guevara, membro do Vontade Popular e vice-presidente do Parlamento de maioria opositora, "o impediram".

Guevara disse que o governo tenta usar López para que os protestos opositores percam força, mas esclareceu: "Leopoldo jamais vai trocar a rua pela sua liberdade".

López foi condenado por supostamente promover a violência nos protestos contra Maduro de 2014, que deixaram 43 mortos.

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